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Sinal para o clero latino-americano
Papa dá «luz verde» à beatificação de Oscar Romero
Texto Francisco Pedro | Foto Saints Resource | 22/04/2013 | 15:09
Santo Padre autorizou a reabertura do processo de beatificação do antigo arcebispo de San Salvador, Oscar Arnulfo Romero, assassinado em 1980 por um comando da extrema-direita
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Apelidado de «a voz dos sem voz» e muito popular na América Latina, o arcebispo de San Salvador, Oscar Arnulfo Romero, foi assassinado na sua catedral, a 24 de março de 1980, por um comando da extrema-direita, no início da guerra civil em El Salvador. O processo de beatificação esteve parado vários anos, mas poderá avançar de novo, por determinação do Papa Francisco.

A informação, avançada esta segunda-feira, 22 de abril, pela agência Lusa, foi tornada pública numa missa em Molfetta, na região da Apúlia, pelo arcebispo italiano Vincenzo Plagia, presidente do Conselho Pontifício da Família. Hoje, foi confirmada por um responsável do Vaticano.

Romero era considerado um bispo moderado, que não era especialmente próximo das correntes mais à esquerda da teologia da libertação, mas o assassínio transformou-o num ícone entre os meios progressistas. Tinha denunciado que agricultores salvadorenhos, autorizados a tomar posse de terras pela lei da reforma agrária, tiveram de enfrentar pessoas armadas, e colocado a rádio da diocese à sua disposição.

João Paulo II e o papa emérito Bento XVI sempre desaprovaram os excessos da teologia da libertação, por entenderem poder ser uma deriva perigosa do cristianismo para a luta de classes definida pelo marxismo. E o processo, entregue em Roma em 1997, tem estado parado. A «luz verde» dada agora pelo Papa Francisco pode ser um forte sinal para todo o clero latino-americano que, sem estar envolvido nas lutas mais radicais e sem recorrer às armas, defendeu os mais pobres, correndo grandes riscos.
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