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Portugal
Ciclo de conferências «Fé, missão e martírio»
Óscar Romero: um mártir incómodo
Texto Francisco Pedro | Foto Ana Paula | 22/05/2013 | 11:13
Arcebispo assassinado a tiro em El Salvador pagou com a vida a determinação na defesa dos pobres e oprimidos, mas a sua doutrina ficou como um exemplo para a Igreja Católica, recorda o bispo auxiliar de San Salvador
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A doutrina profética de Óscar Romero, o arcebispo da capital de El Salvador morto a tiro quando celebrava missa, em 1980, foi recordada na noite desta terça-feira, 21 de maio, no Colégio São João de Brito, em Lisboa, pelo bispo auxiliar de San Salvador, naquela que foi a primeira de uma série de conferências promovidas em Portugal pelos Missionários da Consolata. Gregório Rosa Chávez não tem dúvidas que Romero «é um mártir» que ofereceu a vida pelo seu povo e pela Igreja e, por isso, não descansa enquanto não vir o seu nome inscrito na lista dos santos reconhecidos pela Santa Sé.
«Com monsenhor Romero, Deus passou por El Salvador», afirmou Rosa Chávez, aproveitando a citação de um sacerdote jesuíta para resumir as qualidades pastorais do arcebispo assassinado, que se tornou «voz dos sem voz», ao defender os pobres e oprimidos, no auge da guerra civil salvadorenha e de um regime político ditatorial, fértil em repressão e injustiça social. Hoje, este tipo de discurso voltou a ganhar dimensão, através das palavras do Papa Francisco. Mas no tempo e no espaço em que se moveu Óscar Romero, as homilias destemidas e incisivas, causaram incómodos não só ao regime de El Salvador, mas também em alguns setores da Igreja Católica. «Ele ganhou muitos inimigos, a começar pela Conferência Episcopal [de El Salvador] onde perdia sempre nas votações, com quatro votos contra e dois a favor - o dele e o de outro bispo», recordou Rosa Chávez. O Núncio Apostólico chegou a confrontá-lo várias vezes com este sintoma de desunião episcopal, mas o arcebispo respondeu, mais uma vez, com a palavra da convicção: «Eu quero a comunhão, não posso é atraiçoar o Evangelho e o povo». Este apelo a um cristianismo mais livre e mais envolvido na transformação da sociedade viria a custar-lhe a vida. Foi assassinado a 24 de março de 1980, pouco depois de ter proferido a homilia, na capela do Hospital da Divina Providência, em San Salvador. João Paulo II chegou a afirmar, de acordo com Rosa Chávez, que Romero «era um mártir». Bento XVI, que na função de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé analisou ao pormenor todas as homilias do arcebispo, manifestou-se «surpreendido pela ortodoxia» da doutrina, sobretudo pela forma como a aplicava à realidade. Mas foi o Papa Francisco, que numa das suas primeiras intervenções, mandou desbloquear o processo da causa da beatificação de Óscar Romero, entregue no Vaticano em 1996, mas parado há vários anos. Esta decisão, conjugada com a mudança de regime em El Salvador, faz com que Rosa Chávez acredite na rápida resolução da causa. Após a conclusão deste processo, só fica a faltar conhecer o autor do disparo que atingiu mortalmente Óscar Romero, pois, para se poder «exercer o perdão, é preciso conhecer a verdade», concluiu o arcebispo de San Salvador. Gregório Rosa Chávez está em Portugal a convite dos Missionários da Consolata, para uma série de conferências integradas no ciclo «Fé, missão e martírio». Esta noite, 22 de maio, a partir das 21h00, estará na Universidade Católica do Porto, no dia 23 falará em Braga, no Auditório Vita, e no dia 24, estará em Gondomar, na Biblioteca Municipal. A última palestra decorre no Centro de Estudos de Fátima, no sábado, 25 de maio, a partir das 18h00. Em simultâneo, será lançado o livro «A doce violência do Amor», publicado pela Consolata Editora, onde estão compiladas passagens das homilias de Óscar Romero. notícias relacionadas
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