Fátima
Jornada Nacional da Pastoral da Cultura
Formação dos jovens desvaloriza o esforço
Texto Juliana Batista | 21/06/2013 | 16:33
A família deu aos jovens uma educação onde «estiveram ausentes os 'nãos'», e a escola desvalorizou o «esforço» do estudante. Segundo o bispo auxiliar do Porto, estas práticas não foram as mais adequadas para «enfrentar» a crise que se vive em Portugal
Muitos jovens cresceram com uma «educação familiar onde, com a melhor das intenções, estiveram ausentes os 'nãos' e foram aplanadas as montanhas das dificuldades», e, na escola, desvalorizou-se o «esforço», porque este foi confundido com um «potencial elemento traumatizante», onde «a aprendizagem assumiu contornos lúdicos que disfarçaram a normal necessidade de trabalhos», afirmou esta sexta-feira, 21 de junho, em Fátima, Pio Alves, bispo auxiliar do Porto.
«Nós, mais adultos, família e escola, demos o nosso contributo às marcas de uma formação que não é certamente a mais adequada para enfrentar os tremendos desafios de uma sociedade que entretanto se desregulou, baralho, faliu», lamentou o também presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, durante a nona Jornada Nacional da Pastoral da Cultura.
Segundo este responsável, Portugal deve saber envolver os jovens na «construção de novos rumos» para sair da crise em que se encontra. «Não podemos substituir os jovens no imprescindível protagonismo que só eles podem assumir, caso contrário não faríamos mais do que prolongar uma infantilização que os diminuiria na sua dignidade e não os tornaria atores da sociedade nova que, entre todos, teremos de reinventar» disse Pio Alves, citado pela agência Ecclesia, na abertura do encontro dedicado ao tema «Culturas Juvenis Emergentes».