Portugal
Caminhada para a Peregrinação Missionária da Consolata
Sem crise não há desafios
Texto Opinião | António Fernandes, Superior Provincial | 10/02/2014 | 08:24
«Aproximando-nos do mistério da encarnação e caminhando com o beato Allamano ao encontro de Nossa Senhora de Fátima, contemplemos a beleza de Deus que, sendo de condição divina, assumiu a condição humana
Não pretendemos que as coisas mudem, se fazemos sempre o mesmo. A crise é a melhor bênção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera-se a si mesmo sem ficar ‘superado’. Quem atribui à crise os seus fracassos e penúrias, violenta o seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência. Sem crise não há desafios; sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um», escreveu Albert Einstein.
O Papa Francisco, por sua vez, alertou, na exortação apostólica «A Alegria do Evangelho», que «uma das tentações mais sérias que sufoca o fervor e a ousadia é a sensação de derrota que nos transforma em pessimistas, lamurientos e desencantados com cara de vinagre».
O Evangelho é uma proposta de vida para renovar constantemente a vida pessoal e comunitária. O convite de Jesus – «vem e segue-me» – é permanente e não permite acomodações de nenhum género. A centralidade das nossas vidas e opções não está em nós, nas nossas ideias, sonhos, caminhos e convicções. A alteridade é o grande desafio, nesta descoberta contínua de Deus.
Somos convidados constantemente a renovar-nos e a configurar a nossa vida com a vida de Jesus Cristo. Caminho de conversão e transformação que aponta para a centralidade de Deus nas encruzilhadas da vida e no grande mistério de amor, em que estamos envolvidos. Conservamos em nós um tesouro em vasos de barro (2 Cor 4,7), renovado pelo infinito amor de Deus, confiado quotidianamente a cada um de nós.
Aproximando-nos do mistério da encarnação e caminhando com o beato Allamano ao encontro de Nossa Senhora de Fátima, contemplemos a beleza de Deus que, sendo de condição divina, assumiu a condição humana (cfr. Fili 2, 1ss); aproximemo-nos de Deus para dialogar, repousar, beber da verdadeira fonte e para nutrir a nossa ação missionária; caminhemos felizes ao encontro do outro, doando a própria vida. A cruz não deixa de ser o lugar onde todas as alteridades podem reconciliar-se.
Unidos neste caminho, confiantes na força da oração, deixemo-nos iluminar pela Boa Notícia do Evangelho para que tenhamos vida em abundância (cf. Jo.10,10).
|