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Portugal
Pobreza e exclusão social
Lisboa: sem-abrigo estrangeiros só querem bilhete para voltar a casa
Texto Juliana Batista | 12/02/2014 | 12:11
A cidade de Lisboa contava, em dezembro de 2013, com 852 sem-abrigo. Um levantamento realizado dá conta da existência de 14,3 por cento sem-abrigo estrangeiros. Alguns só querem um bilhete para regressar a casa

No passado mês de dezembro, Lisboa contava com 852 sem-abrigo, na sua maioria homens, portugueses, solteiros e sem fontes de rendimento. Os dados resultam de um levantamento, que será apresentado esta quarta-feira, 12 de fevereiro, pela Santa Casa da Misericórdia. Na contagem, efetuada a 12 de dezembro de 2013, foram sinalizados 509 sem-abrigo na rua e 343 que dormiram em Centros de Acolhimento nessa noite.

A iniciativa contou com a colaboração de mais de 800 voluntários, que percorreram as ruas lisboetas e foi o culminar de um trabalho realizado pelo «Programa Intergerações | InterSituações de Exclusão e Vulnerabilidade Social» que, de abril a dezembro de 2013, contactou com 649 sem-abrigo, dos quais 454 responderam a um inquérito.

De acordo com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, na causa da situação de exclusão estão, na maior parte dos casos, conflitos familiares e relacionais, o desemprego e a doença. A pessoa mais nova contactada tem 16 anos de idade e a mais velha 85. Os sem-abrigo auscultados são maioritariamente solteiros (44,5 por cento) e portugueses (58,4 por cento), tendo sido registados 14,3 por cento sem-abrigo originários de outros países da União Europeia, alguns dos quais querem somente um bilhete que lhes possibilite regressar a casa.

Em relação à educação, um terço terminou o ensino secundário, técnico ou superior, 4,6 por cento têm qualificações superiores e 7,7 por cento não sabe ler nem escrever. A grande maioria (71,8 por cento) não tem atualmente qualquer fonte de rendimento e 68,9 por cento recebe apoio na alimentação.

A nível de saúde, apesar de 45,2 por cento ter problemas de saúde, a maior parte não frequenta regularmente o médico ou outras entidades promotoras de saúde. Cinco por cento mencionaram ter ajuda em cuidados primários ou na medicação, sendo os problemas de saúde oral, diabetes, doenças cardiovasculares, pulmonares e neurológicas e doenças sexualmente transmissíveis os mais vulgares.

Depois da análise destes dados, a Santa Casa da Misericórdia apela aos organismos públicos e privados para concertarem «estratégias para mudar o paradigma de intervenção junto dos sem-abrigo, evoluindo da assistência para a reintegração social». Segundo a agência Lusa, a apresentação dos resultados deste levantamento vai ser feita às 17h00, na sede da Santa Casa da Misericórdia, por Rita Valadas, administradora da instituição para a Ação Social, João Marrana, coordenador do programa, e Paulo Ferreira, sociólogo.

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