Fátima
Encontro da CNIS
Instabilidade financeira favorece comportamentos desviantes
Texto Francisco Pedro | Foto Francisco Pedro | 24/02/2014 | 12:36
 Armando Leandro (de pé), defendeu a necessidade de uma «cultura de prevenção»
As dificuldades financeiras sentidas pelas famílias portuguesas estão a contribuir para a desestruturação dos agregados familiares e a potenciar os comportamentos desviantes nas crianças e jovens, considera o padre Lino Maia
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Muitas das crianças e jovens em risco que estão a chegar às instituições de solidariedade social são fruto da instabilidade financeira que afeta as famílias portuguesas, admitiu esta segunda-feira, 24 de fevereiro, o presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), padre Lino Maia. Apesar do número de menores institucionalizados ter diminuído nos últimos anos, «o que está a acontecer é que cada vez aparecem jovens mais velhos, com mais problemas e mais complicados», adiantou o sacerdote. «Há cada vez menos estabilidade nas famílias e isso gera comportamentos desviantes, gera perturbação. E muitas crianças que chegam às instituições são fruto disso mesmo, das famílias terem menos meios, de haver mais instabilidade no casal, e das crianças serem mais seduzidas, e mais cedo, para uma vida de grupo que nem sempre é a mais saudável», afirmou Lino Maia, à margem do encontro sobre os «novos desafios e compromissos para uma infância e juventude protegidas», promovido pela CNIS, em Fátima. Neste momento, segundo o sacerdote, há cerca de 8.000 crianças e jovens institucionalizados. Para fazer frente aos novos desafios, torna-se fundamental que as instituições apostem «em técnicos especializados», pois a filosofia dos estabelecimentos, quando foram criados, centrava-se mais na resposta «às crianças sem família, crianças pobres e mais novas». Porém, a especialização dos quadros de pessoal obriga a investimentos e, embora tenha havido «uma atualização por parte do Estado», as dificuldades orçamentais ainda são um dos principais quebra-cabeças de muitas instituições de solidariedade, acrescentou o presidente da CNIS. Durante o encontro, o juiz conselheiro Armando Leandro, presidente da Comissão Nacional de Proteção de Crianças e Jovens em Risco (CNPCJR), alertou para a necessidade de uma maior «colaboração» no setor, em vez de «competição», e para a criação de uma «cultura de prevenção». «Faz-se muita coisa, mas não temos ainda uma cultura sistémica de prevenção», afirmou o magistrado.
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