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Domingo a Domingo
Comentário ao Evangelho do Sétimo Domingo Comum - 19 de fevereiro
O prémio do amor é amar
Texto Comentário | Aventino Oliveira | 17/02/2017 | 16:12
«Amai os vossos inimigos, e fazei bem aos que vos odeiam, para serdes filhos do vosso Pai que está nos céus», citação do Evangelho deste domingo
Disse Jesus um dia: «O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei» (João 15,12). Este mandamento de Jesus é um pouco como as moedas, tem duas caras. É a coisa mais sublime que imaginar podemos, pois São João diz-nos: «Deus é amor»; e às vezes, amar é um frete. Amar pode também ser uma ação perigosa, porque amar significa renunciar às próprias defesas, deixar que o outro entre e permaneça dentro de nós.

Portanto, amar quer dizer tornar-nos vulneráveis, sairmos do próprio eu para aceitar aquilo ou aquele que porventura nos poderá mesmo prejudicar como pessoas, como indivíduos. Amar é, portanto, pôr em risco a nossa independência. De fato, foi o amor que condenou Jesus à morte. Se ele não tivesse amado tanto, não afirmava as verdades que o levaram à perdição - humanamente falando. E assim, o amor só se torna amor quando se dá a outrem, senão é só amor de si próprio, isto é, egoísmo. Por isso mesmo Deus é logicamente Trindade: para que o amor possa circular entre as Três Pessoas, de uma para a outra.

Os que amam verdadeiramente, estão dispostos a aceitar as feridas que possivelmente o amar traz consigo. Por exemplo, o soldado que ama a sua pátria expõe-se às feridas, à morte. A esposa que aceita ser mãe expõe-se, ao menos, ao sofrimento porque, mãe é sinónimo de amor, mas o amor faz rima com dor: o amor inclui a dor pelo bem do amado! Quem escolhe o casamento, ou a vida religiosa, condena-se a nunca mais ser livre, a ver a sua liberdade condicionada pelas exigências do amor, a perder a liberdade para ser livre para amar.

Ao aceitar tornar-se Salvador, a pessoa do Verbo de Deus perdeu a sua invulnerabilidade divina, condenou-se a falhar, a perder-se a si próprio, condenou-se a si próprio à morte numa cruz – por amor! (cf Gálatas 2, 20). Por isso Ele podia ensinar: «Não há maior amor do que dar a vida pelo amado» - Deus e todo o próximo - e ainda «A minha vida, ninguém me tira; eu é que a dou livremente!» O que faz com que o amor seja tão sublime é que o amor é paga de si próprio: o prémio do amor é amar, como nos diz São Bernardo. O amor recebe a sua paga porque ama: isto é, amar é já ser amado! O amante é amado porque ama.

A irmã Leonella Sgorbatti era uma missionária da Consolata italiana que trabalhava num dos países mais perigosos do mundo, a Somália, na África, onde nem sequer há governo, só as cortes de violência. A irmã Leonella trabalhava no único hospital para crianças da Somália, e na única escola para enfermeiras profissionais nesse país. A estes dois lugares onde trabalhava, chamava ela os seus dois sonhos. No dia 17 de setembro de 2006 foi assassinada por um muçulmano, com várias balas nas costas, uma das quais lhe despedaçou o coração.

Antes de morrer, nos braços das suas duas irmãs religiosas, teve ainda força para repetir três vezes uma palavra: «Perdoo!» Depois da sua morte, dizia muita gente não cristã na Somália: «Agora, no nosso céu já não há estrelas!» A irmã Leonella costumava dizer muitas vezes: «Só temos uma vida, que é para a dar aos outros. Dêmo-la sempre, sem hesitação alguma, pois quem dá a sua vida, encontrá-la-á”. A verdade é que, depois da sua morte, só uma coisa dela ficou para sempre: o amor! E Cristo teima: «Amai, para serdes filhos do vosso Pai que está nos céus!»
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