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Moçambique
Catequistas mártires a caminho da beatificação
Texto Diamantino Antunes | Foto Diamantino Antunes | 22/03/2017 | 15:14
Processo canónico de beatificação e canonização dos catequistas mártires do Guiúa vai ser iniciado, numa altura em que se assinalam 25 anos do massacre, em Moçambique
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Faz esta quarta-feira, 22 de março, 25 anos que se verificou o massacre dos catequistas mártires de Guiúa, cujo processo canónico de beatificação e canonização terá início no próximo sábado, em Moçambique. Quem são os catequistas mártires do Guiúa? São 23 moçambicanos, homens, mulheres e crianças, que foram mortos quando se encontravam no Centro Catequético do Guiúa, na diocese de Inhambane, para participarem num curso de formação de longa duração para famílias de catequistas.

Foi no dia 22 de março de 1992 que foram mortos. Decorriam os últimos meses de uma guerra fratricida que devastava Moçambique. Esboçavam-se os primeiros sinais da vontade de reconciliação nacional. O país tentava emergir de um longo período de conflito, de trevas e provações. Confiante de que as conversações em curso em Roma para alcançar a paz iriam pôr fim à guerra, a diocese de Inhambane decidiu reabrir o Centro Catequético do Guiúa para a formação de famílias de catequistas.

Três dezenas de pessoas escolhidas em diferentes missões acabavam de chegar, quando, pela madrugada, um grupo de homens armados atacou o Centro e raptou a maior parte das famílias. Em marcha, carregando os bens saqueados pelos atacantes, foram conduzidos à força para a base de onde vinham os invasores. Pelo caminho, um grupo de 23 catequistas e familiares foram brutalmente chacinados à baioneta. Testemunharam a sua fé com o sangue. Os seus corpos foram transportados e sepultados no Centro Catequético, no local onde está atualmente o Santuário Diocesano de Inhambane.

A missão dos catequistas mártires do Guiúa, abruptamente interrompida, continua viva. A sua memória e o seu exemplo ecoam ainda e sempre no silêncio da brisa eterna da colina do Guiúa. A morte destes homens e mulheres dá-se no preciso dia em que iniciavam um caminho de fé comprometida. É assim que serão lembrados para sempre.

O cemitério onde estão sepultados é um lugar de romagem de centenas de cristãos ao longo do ano. Os católicos têm grande veneração por estes seus irmãos e os consideram «mártires». Ainda não são reconhecidos pela Igreja como santos nem como beatos. A diocese de Inhambane está a organizar-se para alcançar este objetivo, iniciado no próximo dia 25 de março o processo canónico para o reconhecimento do seu martírio e santidade por parte da Santa Sé.
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