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Domingo a Domingo
Comentário ao Evangelho do Quarto Domingo de Quaresma - 26 de março
Jesus fez lodo do barro da terra
Texto Comentário | Aventino Oliveira | 25/03/2017 | 15:51
«O Senhor ungiu os meus olhos, eu fui lavar-me, comecei a ver e acreditei em Deus» (Antífona da Comunhão da Missa deste domingo)
Que maravilha a capacidade de ver! Os olhos são as lentes do coração, o que por eles entra vai morar no coração e fixa-se na memória. E depois, os olhos tornam-se também espelho do coração, mostram aquilo que se passa no nosso íntimo. Assim o explica uma quadra popular: «O coração e os olhos, são dois amigos leais; quando o coração tem penas, logo os olhos dão sinais». E a cegueira diminui muito a capacidade de armazenar dentro de nós imagens que tanto ajudam e coloram a nossa vida.

O facto narrado no Evangelho deste quarto Domingo da Quaresma mostra-nos um senhor que era cego de nascença. Teve a sorte que Jesus ao passar e vê-lo cego, parou, fez uma espécie de cerimónia litúrgica, e o mandou ir lavar-se na piscina de Siloé em Jerusalém: explica João no seu Evangelho que «Siloé» quer dizer «enviado». Jesus é o `enviado´ especial do Pai: `enviado´ para trazer à terra a visão plena e verdadeira das pessoas, coisas e acontecimentos na chave da Santíssima Trindade, na maneira que a Trindade Santíssima tem de ver as coisas.

Primeiro, Jesus fez lodo do barro da terra misturando-lhe um pouco da sua saliva. Do barro formara Deus o homem no princípio. Para bem compreendermos, é «em vasos de barro que nós trazemos dentro de nós a imagem de Deus que nos é mostrada no Senhor Jesus Cristo» (cf. 2 Cor 4,6-7). Ao barro Jesus mistura um poco da sua saliva: Na antiguidade, a saliva era considerada como possuindo poderes curativos. De facto a saliva contém uma substância que protege de vírus e de bactérias perniciosas para o nosso sistema respiratório e digestivo. No barro Jesus coloca os seus poderes divinos curativos por meio da sua saliva, para bem do cego de nascença. Mais tarde Jesus revela a este cego que ele, «Jesus, é o Filho do Homem», fonte de salvação. E o cego curado proclama: «Sim, Senhor, eu creio» - que tu és o Filho do Homem.

Diz-nos o Catecismo da Igreja Católica: «Os sacramentos são sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, sua esposa, mediante os quais nos é concedida a vida divina» (n. 224). Cada sacramento dá ao indivíduo que o recebe uma visão diferente da vida, e é ao mesmo tempo meio de preparação para a vida eterna na comunidade do céu. O sacramento opera por si próprio, mas a colaboração de quem o recebe pode aumentar muito a maneira de viver essa graça, ou presença, do Senhor em nós.

«O Filho do Homem» é Jesus Cristo, Deus humilhado na nossa condição mortal, ele que depois da sua morte ressuscitou e vive «de pé à direita de Deus» (Atos 7,56). Jesus que confessamos e adoramos como «Deus de Deus e luz da luz» (Credo, símbolo de Niceia): é esta a confissão fundamental da fé cristã.
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