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Opinião
Fome no Mundo
Milhões de pessoas ameaçadas de fome
Texto Eduardo Santos | Opinião | 02/04/2017 | 10:58
Um relatório da ONU e da União Europeia, publicado a 31 de março, revela que existem 108 milhões de pessoas ameaçadas pela fome no Mundo. Subida de preços, conflitos e condições climatéricas adversas são as causas

O documento resulta de uma colaboração entre a UE, a ONU, a agência norte-americana USAid e vários organismos regionais reflectindo a situação que se verificava em 2016. O número avançado, relativo ao que as organizações internacionais designam como pessoas confrontadas com uma «insegurança alimentar grave», representa um aumento de 35% em relação a 2015, ano em que havia 80 milhões nessa situação. A designação diz respeito às pessoas que já sofrem de desnutrição grave e sem meios para prover às suas necessidades energéticas de forma duradoura. Sudão do Sul, Somália, Iémen e nordeste da Nigéria são os mais atingidos. A opinião dos autores do documento é que esta situação poderá agravar-se ainda mais em 2017.

 

Elaborado com base em várias metodologias de classificação, o relatório, refere também que, em nove das dez piores crises humanitárias de 2016, a fome foi causada por um conflito civil. Em alguns casos registaram-se outros factores como o clima, sobretudo secas e chuvas irregulares causadas pelo fenómeno El Niño.

Em países como o Iraque, a Síria (e os refugiados sírios em países vizinhos), o Maláui e o Zimbabué, a situação de insegurança alimentar generalizou-se. «Podemos evitar que as pessoas morram de fome», disse o director-geral da Organização da ONU para a Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, apelando para uma «intensificação dos esforços para salvar, proteger e investir nos meios de subsistência rurais».

 

O aumento verificado e a quantidade de pessoas que sofrem com esta situação é deveras preocupante exigem uma abordagem mais concreta por parte de todos aqueles que têm responsabilidades no sector social a todos os níveis. A situação já não é «apenas» uma crise humanitária, como explicou a directora do Programa Alimentar Mundial (PAM), Ertharin Cousin. «A fome exacerba as crises, provocando mais instabilidade e insegurança. O que hoje parece um desafio ligado à segurança alimentar, vai tornar-se amanhã num desafio ligado à segurança em si». «É uma corrida contra o tempo, o mundo tem de agir agora para salvar as vidas e os meios de subsistência de milhões de pessoas», referiu a responsável.

A calamidade da fome no Mundo está devidamente identificada quer quanto às suas causas, quer no que diz respeito às zonas do Globo mais carenciadas. Torna-se necessário um maior empenho dos países, assim como das organizações internacionais, na sua diminuição que se deseja drástica.

 

E em Portugal, como estamos? Apesar do enorme desenvolvimento social e económico dos últimos anos, ainda existem muitas famílias portuguesas (1 em cada 14 famílias, ou mais, tem um problema grave no acesso aos alimentos) onde se saltam refeições por não existir comida suficiente em casa. Estas formas mais extremas de insegurança alimentar, ou fome, coexistem com outras menos extremas, onde se esticam orçamentos ou se recorre a comida de muito má qualidade e com excesso de calorias para obter a necessária energia ao fim do dia.

Por outro lado, as soluções apresentadas, através de programas alimentares especiais, dos bancos alimentares ou através de instituições de caridade, não tratam a causa fundamental da fome: a incapacidade para pagar os alimentos. Ao oferecer alimentos, não resolvem a incapacidade das famílias para gerirem o seu reduzido orçamento alimentar. Neste caso, e mais do que nunca, é necessário ensinar a pescar para além de oferecer o peixe. Teremos (todos) que fazer um esforço maior no sentido de ajudar na contenção da fome que continua a cair sobre tantas famílias e centenas de milhares de pessoas no nosso país.

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