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Que futuro para os nossos jovens?
Texto Eduardo Santos | Opinião | 09/04/2017 | 22:07
Mil estudantes portugueses do ensino secundário foram expulsos do hotel em Espanha, noticiou a imprensa ontem. Os jovens finalistas estavam em gozo de férias. A expulsão deveu-se a desacatos cometidos

A notícia só deve ter deixado surpreendido quem não acompanha os nossos jovens formados (?) pelas escolas portuguesas. Mas que tem impacto, isso tem! Não só pelo elevado número de estudantes envolvidos, mas também por se encontrarem fora do território nacional. Recorde-se que só uma empresa portuguesa levou para o sul de Espanha mais de oito mil estudantes, o que dá uma ideia da dimensão e envolvência, dado que há mais organizadores destas viagens de finalistas.

Os desacatos e mau comportamento foram provocados devido ao estado de embriaguez dos estudantes portugueses que estavam alojados em Benalmádena, Málaga, no sul de Espanha. Fonte da Direcção Nacional da PSP confirmou à agência Lusa que na origem da expulsão estiveram os desacatos e mau comportamento dos alunos finalistas.

 

Segundo o jornal El País, a polícia avalia os estragos em «milhares de euros», adiantando que o valor ainda depende de uma avaliação mais apurada. De acordo com o mesmo jornal, que cita fontes policiais, os jovens terão arrancado azulejos, atirado colchões pelas janelas, esvaziado extintores nos corredores do hotel. A mesma fonte acrescentou que chegaram mesmo a mergulhar um televisor numa banheira.

O hotel em causa - Hotel Pueblo Camino Real, que fica na primeira linha junto à praia, na zona de Los Álamos - assegura nunca lhe ter acontecido nada semelhante antes. As autoridades espanholas solicitaram a colaboração da Polícia de Segurança Pública no local, para acompanhar a situação e o regresso dos jovens a Portugal. Pelo menos metade dos estudantes deixaram a unidade hoteleira sexta-feira passada e os restantes rumaram a Portugal no sábado.

 

Uma das maiores empresas (Sporjovem) na organização destes eventos das férias da Páscoa, referia ao DN a semana passada que para acompanhar as festas e dar apoio aos jovens em casos de excessos ou pequenos acidentes, levava também até ao sul de Espanha, «uma equipa da Cruz Vermelha de Esposende, mas nem tem havido os chamados comas alcoólicos, nem acidentes, como quedas».

«Estes cuidados ajudam os pais a ficar mais descansados», disse Jorge Ascensão, da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap). «Os pais vivem sempre o dilema de, por um lado, deixar os filhos voar um pouco e estar longe», refere, defendendo que o caminho não é o da proibição. «Os pais devem mostrar que ir acarreta responsabilidades. A decisão é uma responsabilidade que cada família tem que assumir». Estas afirmações são a teoria, mas não confirmam a prática, pelo menos no colectivo.

 

Estudos e inquéritos têm confirmado que os jovens começam a beber muito cedo, precocemente mesmo, se atendermos a que mais de quatro em cada dez adolescentes portugueses admitem que aos 13 anos, ou antes, já tinham experimentado álcool e 5% tinham apanhado uma bebedeira. Portugal é o segundo país, depois de Malta, onde as preferências dos adolescentes em matéria de álcool recaem sobre as chamadas bebidas brancas, como o vodca ou o absinto que alimentam os shots. Ou seja, os nossos jovens iniciam o consumo de bebidas alcoólicas numa idade imatura e não há o necessário cuidado de desincentivar esta prática. O consumo do álcool leva ao da droga, ao tabaco e afins, o que explica um convívio social cada vez mais anárquico.

 

A família, a escola e a sociedade são grandes responsáveis pela ausência de valores dos nossos jovens. Os pais têm que redobrar a sua responsabilidade; a escola deverá rever a sua metodologia, e porque não introduzir esta temática na matéria académica também?

A informação, transformada em conhecimento e sabedoria, deve ser dada por pais, professores e mesmo profissionais de saúde. É preciso falar verdade, explicar o que são e as consequências da bebida, da droga e ser-se sério e rigoroso na abordagem da questão. A prática desportiva, cultural e artística – e outras - ajudam a dar um sentido de vida mais saudável, permitindo ao jovem um crescimento harmonioso e cultivando os valores indispensáveis para uma atitude responsável quer individualmente, quer colectivamente.

 

 

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