+ infoAcontecer
Portugal
A Igreja e os pobres
O que representam os centros sociais paroquiais hoje?
Texto Eduardo Santos | Opinião | 16/04/2017 | 19:31
Antes de aparecerem em força os apoios institucionais aos mais desfavorecidos já alguns sacerdotes davam vida a centros sociais paroquiais que colmatavam, e continuam, uma parte da miséria existente localmente

Outrora - e falamos de décadas atrás - ainda não haviam surgido instituições internacionais (ONG) e outras nacionais, e já muitos sacerdotes párocos de freguesias se tinham apercebido da necessidade de dar resposta aos mais desfavorecidos. A criação de centros sociais nas paróquias, junto às igrejas ou próximo, e a captação de voluntários para colaborar na angariação e distribuição de roupas, alimentos e outros foi o passo seguinte ao passo de levantamentos de famílias e pessoas com necessidades. Ou seja, os párocos seguiram aquela regra de que não se pode pregar a estômagos vazios, mas foram muito mais além. Puseram em prática a doutrina social da Igreja na sua vertente caritativa, que ainda era pouco conhecida, e abriram caminho a que outras pessoas e instituições se preocupassem com o assunto.

 

Tive a oportunidade de ver nascer nas décadas de 60/70 e, mais tarde, acompanhar o trabalho de um sacerdote que paroquiava uma igreja em Lisboa. Este que já conhecia algumas famílias com necessidades, sensibilizou os seus paroquianos com mais posses e começou a construir ao lado da igreja um edifício para prestação de serviços vários. Contactou outros paroquianos para ajudar e foi assim que nasceu mais um centro social paroquial.

Actualmente aquela paróquia dispõe de uma panóplia de apoios digna de nota. No apoio social tem valências de banco alimentar, rouparia, enfermaria, convívio da terceira idade, visitadores paroquiais, aconselhamento familiar e jurídico e Conferência de São Vicente de Paulo. Mas tem ainda outros apoios como loja solidária, espaço criança, apoio psicológico, enfermagem e apoio médico. Convém salientar que antes do centro social funcionar apenas existia a Conferência de São Vicente de Paulo, aliás com um trabalho importantíssimo no ocmbate à pobreza da freguesia.

 

Todos sabemos que outrora estava na boa vontade dos párocos a gestão destes recursos, e por vezes com tantas dificuldades em o fazer quer pelo excesso de trabalho, quer pela ausência de conhecimentos adequados. Hoje a gestão destes centros sociais paroquiais, e até mesmo outros que se dedicam à caridade, tem que ser muito cuidada, rigorosa e séria. E isto vale para todas as instituições da Igreja.

 

Recentemente a Pastoral Social da Diocese do Algarve promoveu um encontro em que estiveram presentes a Cáritas Diocesana do Algarve, vários Centros paroquiais e Misericórdias. O padre José Gil Ribeiro, responsável do Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro, da Cova da Piedade, Almada, foi o orador da sessão. Aquele centro dispõe de nove equipamentos sociais (cinco na área da infância, dois lares de terceira idade, um centro de documentação e uma residência universitária). Tudo isto equivale a um total de 30 respostas sociais. O sacerdote considerou que são eles a «sustentabilidade na comunhão com a vida pastoral da Igreja diocesana», a «sustentabilidade económica», a «sustentabilidade financeira» e a «sustentabilidade na relação com a comunidade local». Ou seja, e como nós sabemos, para fazer caridade é necessário a devida sustentabilidade económica e financeira, mas também a outra sustentabilidade pastoral e de proximidade.

 

O padre José Ribeiro aconselhou os centros paroquiais a não serem «escravos dos pobres». «A nossa missão não é ter pobres. Quem dera que não fossem necessários centros sociais paroquiais», sustentou, pedindo que não fiquem «reféns de respostas sociais que o Estado já não precisa». «Não nos podemos agarrar a respostas porque as respostas surgem de necessidades. As necessidades são diferentes hoje do que eram há 40, 50 ou 20 anos», prosseguiu, exortando à atenção a novas respostas e a que se aposte «naquilo que é diferenciador da escola (pública)». «O centro paroquial tem de ser uma realidade dinâmica porque senão morre», alertou.

É este, resumidamente, o papel dos centros sociais paroquiais que tão úteis têm sido aos mais necessitados. O seu futuro é de esperança para todos nós. Votos sinceros de uma Santa Páscoa para todos vós.

Qual é a sua opinião?
Login
Email: Palavra-chave:
Esqueceu-se da sua palavra chave?
Registar
Comentário sujeito a aprovação.