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Fátima
Chá com Arte
Terço gigante: «Uma transfiguração dos lugares comuns sobre Fátima»
Texto Albino Brás | Foto SNSRF | 31/05/2017 | 18:06
Marco Daniel Duarte, diretor do Museu do Santuário de Fátima, explica que o terço exposto no Santuário é uma criação que vem ao encontro do que o santuário pediu à artista
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«Todas as obras da Joana Vasconcelos são bem-recebidas por uns e mal recebidas por outros. Com esta não é diferente». Assim reagiu Marco Daniel Duarte - diretor do Serviço de Estudos e Difusão do Santuário de Fátima – quando questionado sobre a polémica à volta do terço gigante «Suspensão», de 26 metros de altura, obra da conhecida artista plástica Joana Vasconcelos, que está no Santuário de Fátima. 

Declarações feitas durante a iniciativa ‘Chá com Arte’ que decorreu nesta terça-feira, 30 de maio, no ConsolataMuseu | Arte Sacra e Etnologia, numa parceria com a Liga de Amigos deste Museu dos Missionários da Consolata, em Fátima. 

A partir do tema «Arte Sacra em Fátima», o convidado desta sessão respondeu às perguntas do diretor do museu, Gonçalo Cardoso, e também a algumas das cerca de três dezenas de pessoas que participaram na tertúlia, sentadas nas mesas onde iam bebendo chá e saboreando biscoitos. 

Marco Daniel desvaloriza a polémica. «A Joana Vasconcelos faz arte pública. E faz acontecer emoções fortes. No caso deste terço, ele é colocado no Santuário de Fátima que cada pessoa acha como seu, como a sua casa, o que é ótimo, pois é o melhor que pode acontecer a um lugar. Por outro lado, toda forma de arte pública tem uma dificuldade de reação, porque interpela a vida das pessoas».
 
A propósito de polémicas, este investigador recordou que o próprio Santuário tem um historial de críticas com relação a muitas das obras que ali foram sendo feitas: «Quem não se lembra das criticas feitas ao alpendre da Capelinha das Aparições; ou a dificuldade de digerir a Basílica da Santíssima Trindade e o Cristo que está no seu interior, e também o Cristo da Cruz Alta?». E acrescenta que, a seu modo de ver, este tipo de reações são «um bom sinal». E, explica: «A obra quando mexe com as pessoas quer dizer que é importante, que as interpela. O que interessa é a forma como a obra de arte interpela quem a vê. A obra de arte deve fazer gerar reflexão».
 
Marco Daniel explica que o terço exposto no Santuário é uma criação que vem ao encontro do que o santuário pediu à artista, isto é, «que fosse uma obra que celebrasse o Centenário das Aparições, e com carácter efémero» (a peça vai ser retirada em outubro). Que daqui a 100 anos alguém olhe para uma fotografia de 2017 e possa dizer «essa é uma fotografia do Centenário; o Santuário engalanou-se daquela forma para celebrar os 100 anos das Aparições. Uma obra que ajudou a datar», diz.
 

Síntese da Mensagem de Fátima

Por outro aldo, Daniel chama a atenção para o forte simbolismo de algo que é um «objeto comum a todos os peregrinos». Além de remeter para a oração que a Virgem Maria pediu aos Pastorinhos de Fátima, o terço é uma «síntese da mensagem de Fátima (mensagem de paz), do próprio santuário e de todos os peregrinos que vem a este lugar».

«Quem conhece a obra da autora sabe que ela transfigura os materiais. Faz um coração a partir do plástico, ou mesmo um sapato feito de panelas, primeiro isoladas, mas quando montadas daquela maneira formam um sapato, que ganha o nome de Cinderela. É a transfiguração dos materiais».

E é aqui que este responsável do santuário entra num dos temas que costuma gerar mais comentários negativos quando se fala de Fátima: «Este mundo kitsch, que também encontramos em Fátima, ao contrário do que nos querem fazer entender, coabita connosco. Nós não nos conseguimos libertar dele. O terço mais ‘rasca’ que existe em Fátima -  aquele que á noite se vê fosforescente, um material que brilha no escuro -  esse material é ali transfigurado naquela obra de arte. Isto é que é o difícil de entender naquela peça», observa, defendendo a obra de Joana Vasconcelos.

«Esta obra de arte é uma transfiguração dos lugares comuns sobre Fátima, e da própria Joana Vasconcelos» que, antes de fazer esta peça, «chegou a fazer uma obra, exposta no Centro Cultural de Belém, muito critica de Fátima».

O terço gigante da artista plástica Joana Vasconcelos ilumina-se todas as noites, às 21h30, hora em que inicia a oração do rosário nas vigílias de oração na Cova da Iria, de 12 de maio a 13 de outubro de 2017, assinalando o Centenário das Aparições
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