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Luta contra o tráfico de migrantes mexe com economia no Níger
Texto F.P. | Foto Irin | 16/06/2017 | 07:02
Desde que entrou em vigor a lei que proíbe o tráfico de migrantes já foram detidas cerca de 100 pessoas. Os comerciantes de Agadez queixam-se de uma quebra generalizada no negócio
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A lei que proíbe o tráfico ilegal de migrantes no Níger, aprovada em 2015 e aplicada a partir de agosto do ano passado, está a dar resultados positivos no combate ao tráfico de seres humanos e a deixar os comerciantes descontentes, por causa da quebra no negócio que era gerado pelos migrantes que circulavam, sobretudo na cidade de Agadez.

«Antes ganhava bem a vida. Pagava o meu aluguer com os migrantes e os intermediários. Podia manter a minha mulher e ajudava a família. Hoje em dia, nada funciona. Antes, podia ganhar entre 45 a 60 euros por dia. Agora, posso passar uma semana sem ganhar nada», admite Achama Akomili, ajudante intermediário, criticando a criminalização da sua atividade.

Usaf Halidu, vendedor no mercado, também se mostra descontente com a nova lei. «Já não vendo nada, o negócio está parado», afirma o comerciante, que disponibilizava uma série de produtos que podiam ser úteis aos migrantes. O mesmo se passa nos bancos e nas empresas de transferências monetárias, que chegavam a atender 300 migrantes por dia e hoje estão praticamente sem clientes.

Para o ministro do Interior, Mohamed Bazum, as queixas podem ter fundamento, mas não irão desviar o governo do combate ao tráfico ilegal de pessoas. «Tendo em conta a dimensão do tráfico de migrantes irregulares, desenvolveu-se uma economia que fazia viver muitas pessoas. Mas temos que lutar contra todo o tipo de tráfico [migrantes, armas e droga], já que está tudo interligado».
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