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«Povos indígenas são bibliotecas vivas»
Texto Francisco Pedro | Foto Lusa | 18/06/2017 | 15:51
Primeiro encontro Pan-Amazónico em defesa dos direitos humanos dos povos indígenas em isolamento voluntário terminou com uma reivindicação: o direito destas comunidades à autodeterminação e ao livre exercício da sua identidade cultural
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«Os povos indígenas são bibliotecas vivas. São os guardiões, cuidadores e jardineiros da Amazónia e do planeta. Cada vez que um povo indígena é exterminado e desaparece, um rosto de Tupaña [Deus] morre. O cosmos, o planeta e toda a humanidade fica mais pobre». A definição é do líder indígena Bernardo Mawe, e serviu de inspiração aos representantes das várias instituições que, em abril, participaram no primeiro Encontro Pan-Amazónico sobre direitos humanos dos povos indígenas em isolamento voluntário.

Depois de um intenso diálogo sobre a situação de «alta vulnerabilidade» em que vivem os indígenas isolados em território pan-amazónico, sujeitos a constantes invasões, pressões, e violações dos seus direitos humanos, os participantes concluíram ser urgente reivindicar o direito destes povos «à autodeterminação e à sua identidade cultural».

«Eles representam uma contribuição substancial à vida dos nossos países e da nossa região, à diversidade cultural e à relação harmoniosa que mantêm com o território. Os princípios da prevenção e vulnerabilidade são prioritários, pelo que se deve impedir qualquer iniciativa extrativa que possa pôr em risco a vida destes povos, evitar situações de conflito, proibir o contacto forçado e garantir a defesa dos direitos humanos dos povos indígenas em isolamento voluntário», refere o documento final do encontro, que se realizou no Brasil.

A região pan-amazónica abrange o Brasil, Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Bolívia, as Guianas e o Suriname, e é a que tem mais comunidades indígenas isoladas – há cerca de 145 referências da presença destes grupos. Grande parte das comunidades encontra-se numa situação de «permanente vulnerabilidade e ameaça por parte de mega-projetos extrativos e produtivos, que exploram os recursos naturais que se encontram dentro dos seus territórios ancestrais, em relação aos quais têm um enorme vínculo espiritual, material e humano, e dos quais dependem para sobreviver».

Neste sentido, e além de pedirem aos governos que respeitem e apliquem os diversos tratados internacionais, os participantes exortaram «toda a Igreja», em particular a que está presente na Amazónia, «a unir-se» na proteção dos mais vulneráveis, a partir “do acompanhamento integral e da compreensão desta realidade».

«A Igreja deve fazer uma forte opção pelos que são mais vulneráveis de um sistema injusto e desigual», concluíram os representantes da Rede Eclesial Pan-Amazónica (REPAM), citando as palavras dirigidas pelo Papa Francisco aos movimentos populares, em julho de 2015, na Bolívia: «A primeira tarefa é colocar a economia ao serviço dos povos: os seres humanos e a natureza não devem estar ao serviço do dinheiro. Digamos não a uma economia de exclusão e desigualdade, onde o dinheiro reina em vez de servir. Essa economia mata. Essa economia exclui. Essa economia destrói a mãe terra».
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