+ infoAcontecer
Mundo
Recrutado para a luta armada no Iémen
Texto F.P. | 17/07/2017 | 10:24
O recrutamento e uso de crianças por parte dos grupos armados é uma das dimensões mais negras do conflito no Iémen. As Nações Unidas estimam que mais de 1.500 menores foram obrigados a pegar nas armas
Acaba de cumprir 17 anos e é um dos que sobreviveu para contar o calvário de um ano ao serviço de um dos grupos armados. Ahmed (nome fictício) vivia uma vida normal com a sua família, mas um dia tudo mudou, ao ceder à pressão dos amigos e decidir juntar-se aos combatentes.

«Na minha aldeia todos iam lutar. As pessoas diziam-me que não era homem porque não queria lutar. Não podia suportar», conta o jovem, recordando o dia em que se alistou num dos grupos armados e começou o martírio, que o levou até à frente de batalha, a vigiar postos de controlo e a levar comida aos combatentes de serviço.

O conflito do Iémen iniciou em março de 2015 e converteu-se numa guerra brutal, com várias batalhas nas zonas de terreno irregular e nas planícies da zona costeira. Ahmed participou em alguns destes confrontos. «Vi-me empurrado para a luta pelos meus amigos. Deram-me uma arma e fui lutar. A maioria deles estão mortos, alguns em batalhas em que estávamos juntos».

Depois de assistir à morte de mais um amigo, o jovem ficou doente e recebeu autorização para ir tratar-se. E foi durante o tratamento que conheceu um elemento de uma organização apoiada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), que o ajudou a deixar para trás os horrores da vida de soldado.

«Tenho uma mensagem para todas as crianças como eu, maiores ou mais pequenas. Peço-lhes que não ouçam ninguém que os incite a lutar. Pensem no vosso futuro», afirma agora o adolescente, manifestando o desejo de que a guerra termine o quanto antes.
notícias relacionadas
Qual é a sua opinião?
Login
Email: Palavra-chave:
Esqueceu-se da sua palavra chave?
Registar
Comentário sujeito a aprovação.