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Refugiadas empenhadas em aprender para ajudar família
Texto Juliana Batista | Foto Lusa | 12/08/2017 | 11:42
Mulheres que fugiram da Síria devido à guerra estão no Líbano a frequentar aulas de alfabetização para conseguirem ajudar os seus filhos com os trabalhos da escola, ler os avisos do ACNUR e saberem como tomar a medicação
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Duas vezes por semana, Fatima Al Obeid, de 31 anos, ensina mães e avós sírias refugiadas a ler e a escrever na sua língua nativa. Para a maioria destas alunas, as aulas de alfabetização para mulheres, que têm lugar em Fnaydek, no Líbano, são a primeira oportunidade que têm para frequentar uma sala de aula, uma vez que na Síria nunca tiveram essa possibilidade.

 

A iniciativa surgiu para permitir às mães ajudar os seus filhos num novo país e na escola e para as tornar auto-suficientes e independentes, até porque algumas ficaram viúvas devido ao facto dos seus maridos terem sido mortos na Síria. «É um ótimo sentimento ver as alunas a melhorar. Quando comecei, elas estavam desconfortáveis e tristes, por não conseguirem segurar a caneta de forma adequada», disse a professora voluntária, que frequentava um curso de literatura árabe na cidade síria de Homs.

 

As aulas iniciaram em fevereiro e, atualmente, os progressos já são sentidos. «Aqui, mesmo que falemos a mesma língua, este país não é nosso. Somos estrangeiros. Se recebo uma mensagem do ACNUR ou de outra organização, quero ser capaz de ler. Se minha filha me pergunta algo sobre seus trabalhos da escola quero poder ajudá-la», demonstrou Ghalia Ahmed Ezzeiddine, de 44 anos.

 

As vantagens da iniciativa estendem-se a vários âmbitos e ajudam as participantes de várias formas. «Para mim, a coisa mais importante é ser capaz de ler as anotações do médico dos meus remédios. Além disso, quando entro num táxi, posso identificar os sinais. Dessa maneira, sei para onde me estão a lever. Posso confiar em mim mesma», disse Naisa Al Saleh, de 60 anos, citada pelos serviços de comunicação das Nações Unidas.

 

Normalmente, cada aula é frequentada por cerca de 15 mulheres, com idades compreendidas entre os 17 e os 60 anos. A inscrição é gratuita e os responsáveis pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e pela organização internacional Save the Children fornecem os livros e outros materiais necessários.

 

No início das aulas de alfabetização, algumas das participantes enfrentaram as críticas dos seus maridos e vizinhos. «Alguns maridos diziam: `Porquê? Agora você está velha. Não precisa disso´», contou a professora Fatima. Perante este cenário, a voluntária encorajou as mulheres a ignorarem as críticas e deu-lhes dicas para explicar aos maridos e vizinhos que a sua educação levaria vantagens a toda a família. 

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