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Missão entre os garimpeiros
Texto Diamantino Antunes | Foto Diamantino Antunes | 12/09/2017 | 17:07
Missionários da Consolata levam palavras de esperança e consolação aos trabalhadores, que muitas vezes arriscam a vida, para perseguirem o sonho de alcançar uma vida melhor
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Com o padre Carlos Biella, Superior da Missão de Uncanha, e o catequista Luís Tomatoma, visitámos uma pequena comunidade católica que está surgindo nas minas de Malilonguè, no distrito da Maravia, província de Tete. Chegámos a uma terra de garimpeiros já visitada o ano passado pela primeira vez pelos Missionários da Consolata. São muitas as pessoas, sobretudo jovens, oriundas de diferentes distritos de Tete e de outras províncias de Moçambique, e dos países vizinhos que, atraídas pela ilusão da riqueza fácil, perseguem o sonho das pedras semi-preciosas. Um sonho que em alguns casos se transforma em pesadelo. Nas terras de Malilonguè escavam, partem as pedras, esperando encontrar umas pequenas quantidades destes minerais.

A comunidade já preparou um pequeno alpendre para se reunir para a oração dominical na entrada da aldeia dos garimpeiros. São poucos os católicos ainda, mas existe vontade de rezar nuns tantos. A Igreja Católica é a primeira a fixar-se nas minas, embora haja cristãos de outras igrejas. Foi celebrada uma Missa para os presentes. A capela provisória tem como padroeiro nada mais nada menos que o rei Salomão, que procurou riquezas nas minas de Ofir e dotou o templo de Jerusalém de tanto ouro e pedras preciosas.

Em seguida visitámos as minas de Malilonguè, uma área concessionada em 2007 à Sociedade Great Western Mining Limitada, dedicada à extração e comercialização de pedras preciosa e semi-preciosas de tipo Águas Marinhas, Topázio e Turmalinas. Dentro da área de concessão opera um grande número de garimpeiros, reunidos em associação, que se dedicam à extração de pedras semi-preciosas que em seguida vendem à sociedade mineira ou aos muitos compradores, sobretudo estrangeiros, implantados na região.

Acompanhados pelo presidente da associação, visitámos uma mina a céu aberto onde um grupo de garimpeiros cavava à procura de pedras, a uma profundidade de mais de 20 metros e em condições de segurança muito precárias. É preciso cavar muito e ter alguma sorte para encontrar as famosas pedras. Alguns, poucos, têm sorte e fazem fortuna, outros desgraçam a saúde e colocam em risco a própria vida. Neste ambiente de grande precariedade os missionários sentem que é mais do que necessário levar a riqueza do Evangelho e gestos de consolação.
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