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Opinião
A realidade da imigração no sudoeste alentejano
Texto Opinião | Daniel Bastos | Foto DR | 25/09/2017 | 16:26
Como sustenta o padre António Vaz Pinto, ex-Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas, «a palavra imigração não é uma palavra neutra e fria, é uma realidade que encerra pessoas, muito concretas, com as suas vidas, alegrias, esperanças e desejos
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Tradicionalmente um país de emigrantes, Portugal tem conhecido nas últimas décadas novas realidades de fluxos regulares de imigrantes, como é o caso do sudoeste alentejano, uma região onde coabitam entre outras múltiplas nacionalidades, tailandeses, siques, nepaleses, bengalis, vietnamitas, paquistaneses, cambojanos, ucranianos, bielorrussos, búlgaros, romenos e moldavos.

Tratam-se nomeadamente de trabalhadores agrícolas, que vivem nos seus países de origem com grandes dificuldades económicas, mas que encontram nas explorações horto frutícolas do sudoeste alentejano um meio de melhorar as suas condições de vida e das suas famílias. A presença destas comunidades, que estão a transformar a realidade sócio-cultural alentejana - em 2011 a Associação de Horticultores do Sudoeste Alentejano registava a presença de 2.500 cidadãos estrangeiros nas culturas intensivas, e no concelho de Odemira os imigrantes são já 12 por cento da população local -, é fundamental para os empresários agrícolas suprirem as necessidades do mercado de trabalho da região em mão de obra menos qualificada.

Sendo uma mais-valia para o desenvolvimento do sudoeste alentejano e para o país, mas também reveladora de uma realidade laboral marcada em muitos casos por baixos salários, o que leva a que mesmo com taxas de desemprego elevadas as populações locais rejeitem estas oportunidades profissionais, este fluxo migratório impõe às autoridades político-administrativas e aos agentes socioeconómicos nacionais, regionais e locais uma estratégia simultaneamente capaz de analisar problemas e encontrar soluções para diversos desafios. Como sejam, as políticas e práticas de acolhimento e integração, as necessidades de alojamento, as condições de habitabilidade e de trabalho, os direitos sociais e as remunerações salariais, ou as barreiras linguísticas e culturais.

Como sustenta o padre António Vaz Pinto, antigo Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas, «a palavra imigração não é uma palavra neutra e fria, é uma realidade que encerra pessoas, muito concretas, com as suas vidas, alegrias, esperanças e desejos. Por outro lado, é uma realidade viva, em movimento contínuo que não se deixa fixar nem parar. É um puzzle humano colorido, de inumeráveis cores, línguas, sabores, tradições, culturas, religiões. Por isso mesmo, não pede apenas uma resposta, mas respostas variadas e sucessivas, um puzzle que se vai construindo com o esforço de todos».
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