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Fotografias mostram drama dos apátridas
Texto Juliana Batista | Foto Greg Constantine | 06/12/2017 | 10:20
«Ninguém acredita naqueles que não têm cidadania», conta uma das pessoas fotografadas. «Eu sentia-me invisível», lamenta outra. Os trabalhos fotográficos estão expostos no Reino Unido
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Com o objetivo de alertar e sensibilizar a população do Reino Unido para o drama dos apátridas, os responsáveis pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) estão a patrocinar uma exposição fotográfica, a preto e branco, de Greg Constantine, que tem dedicado a maior parte da sua carreira ao registo de pessoas apátridas.

Depois de ter fotografado os rohingya, em Mianmar, e os Bidoon, no Kuwait, Greg Constantine direcionou o seu último trabalho para o Reino Unido, registando a vida de estrangeiros que vivem ciclos de depressão e privações que os colocam à margem da sociedade, devido à falta de nacionalidade. Com o nome «Nowhere People of UK» (Pessoas de lugar nenhum no Reino Unido, em tradução livre), a mostra inédita foi inaugurada no final do último mês e pode ser vista até ao final do ano na Saatchi Gallery de Londres.

Uma das pessoas fotografadas é Peter, forçado a fugir do Zimbábue há dez anos devido à instabilidade política. Ao chegar no Reino Unido, o pedido de refúgio de Peter foi rejeitado e ele passou cerca de 20 meses num centro de detenção para migrantes, uma vez que a embaixada do Zimbabwe se recusou a reconhecê-lo como cidadão.

«Aqueles que não têm cidadania vivem num limbo, pois ninguém acredita neles. As autoridades não querem acreditar neles porque dizem: `Como é que você pode afirmar que é alguém que não tem provas de onde vem?´. Você simplesmente não tem a quem recorrer», explicou o apátrida, citado pelos serviços de comunicação das Nações Unidas.

Outras das pessoas fotografadas é Maya, de 27 anos, que não teve seu nascimento registado pelas autoridades curdas, na Síria. A sua família foi detida no Reino Unido, após o seu pedido de asilo ter sido recusado. No entanto, Maya conseguiu nacionalidade britânica. «Ser apátrida não é uma escolha. Você nasce assim... É algo de que alguém maior, um governo, uma autoridade te priva... Eu, definitivamente, sentia-me invisível», contou a jovem. 

Estima-se que existam cerca de 10 milhões de apátridas em todo o mundo. Muitas das pessoas nestas circunstâncias lidam diariamente com a falta de documentação, o medo, pobreza, discriminação e exclusão. Ficam sem acesso ao mercado de trabalho e educação, e vivem com o permanente receio de serem detidas ou deportadas.

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