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Opinião
Emigrar ou não? A questão que se coloca aos jovens
Texto Opinião | Daniel Bastos | 06/02/2018 | 10:26
Nenhum país, e Portugal não é exceção, consegue projetar o seu futuro com confiança e crescimento sustentado se não tiver capacidade de fixar os seus jovens qualificados
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A constância do fenómeno da emigração qualificada portuguesa ao longo dos últimos anos tem colocado a Portugal cenários e desafios (des)estruturantes do ponto de vista socioeconómico. Dentro desse quadro socioprofissional, um dos grupos onde tem sido notória a apetência pelo estrangeiro é o dos profissionais de saúde portugueses. Segundo dados das Ordens dos profissionais de saúde, no final do ano de 2015 havia 13 mil enfermeiros, cinco mil médicos, dois mil farmacêuticos e mil dentistas emigrados no estrangeiro, mormente no Reino Unido, França, Holanda, Bélgica e Suíça.

As motivações da saída destes profissionais de saúde são transversais e continuam a marcar a agenda nacional. Ainda no termo do ano passado foi divulgado um estudo intitulado «A carreira médica e os fatores determinantes da saída do SNS», baseado em inquéritos a três grupos distintos de profissionais inscritos na Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, que aponta que metade dos médicos a fazer a formação na especialidade admite a possibilidade de emigrar no final do internato.

O estudo, conduzido pela investigadora Marianela Ferreira, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), em colaboração com o bastonário da Ordem dos Médicos, revela que a maioria dos jovens médicos do Norte estão genericamente insatisfeitos com as longas jornadas de trabalho, a falta de oportunidades de progressão e a escassa remuneração que usufruem.

Estando previsto a breve trecho o alargamento deste primeiro grande trabalho sobre a carreira médica realizado em Portugal, a outras regiões do país (Centro e Sul), cujas conclusões provavelmente não serão muito diferentes destas, o estudo conduzido pela investigadora Marianela Ferreira mostra a urgência do país encontrar soluções para não continuar a perder o valioso capital humano que constituem as jovens gerações qualificadas portuguesas.

Nenhum país, e Portugal não é exceção, antes pelo contrário, consegue projetar o seu futuro com confiança e crescimento sustentado se não tiver capacidade de fixar os seus jovens qualificados, como é o caso paradigmático dos profissionais de saúde que asseguram diariamente a prestação de cuidados de saúde à população.
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