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Meninas refugiadas com menos acesso à educação
Texto F.P. | Foto Lusa | 14/03/2018 | 07:02
Relatório revela uma lacuna na oferta de educação às meninas refugiados, em comparação com os meninos. Eles têm mais facilidade de se matricularem no ensino secundário
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Um relatório recente do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) demonstra que as meninas refugiadas, em comparação com os rapazes, têm apenas metade das probabilidades de se matricularem no ensino secundário, apesar de representarem metade da população de refugiados em idade escolar.

«É hora da comunidade internacional reconhecer a injustiça que é negar educação às crianças e às mulheres refugiadas. Estes dados são um sinal de alerta para o mundo, e eu convoco todos a juntarem-se a nós em prol da educação das meninas refugiadas», destacou o líder do ACNUR, Filippo Grandi.

Segundo a informação recolhida pelos autores do relatório, as convenções sociais e culturais muitas vezes resultam na priorização dos meninos para frequentar a escola. As instalações de ensino são precárias, que não contam com estruturas sanitárias adequadas e podem dificultar o acesso das meninas refugiadas às escolas. Além disso, o custo dos livros, dos uniformes e a jornada até a escola podem ser impedimentos para as famílias refugiadas que desejam matricular seus filhos e filhas.

O documento refere ainda, que para as meninas refugiadas, uma educação de qualidade é protetora: reduz a vulnerabilidade à exploração, à violência sexual e de género, e casos de gravidez na adolescência e casamento infantil. Por outro lado, se todas as mulheres recebessem educação primária, as mortes de crianças decorrentes de diarreia, malária e pneumonia cairiam.

«Se continuarmos a negligenciar a educação das meninas refugiadas, é evidente que as consequências serão sentidas por gerações. É hora de tornar a educação das meninas refugiadas uma prioridade», salientou Fillipo Grandi, recordando que apenas 61 por cento das crianças refugiadas têm acesso ao ensino primário, em comparação com uma média internacional de 91 por cento. No ensino secundário, 23 por cento dos adolescentes refugiados frequentam a escola, em comparação com uma média global de 84 por cento.
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