+ infoAcontecer
Portugal
Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa
Bispos lamentam exploração laboral de estrangeiros
Texto F.P. | Foto DR | 12/04/2018 | 15:47
Conferência Episcopal Portuguesa emitiu uma Nota Pastoral sobre migrantes e refugiados onde apela à sociedade em geral que se una no combate aos atropelos dos direitos dos migrantes e no reforço do acolhimento
imagem
Apontando o princípio da mobilidade como uma das características das sociedades modernas, que deve ser integrada na legislação de cada país, os bispos portugueses emitiram esta quinta-feira, 12 de abril, uma Nota Pastoral a lamentar os atropelos aos direitos dos trabalhadores estrangeiros e a propor algumas medidas que podem ajudar a solucionar a crise migratória, sentida à escala global.

«Temos conhecimento que em Portugal muitas empresas cumprem as suas obrigações sociais com trabalhadores estrangeiros, mas não podemos ficar insensíveis a alguns atropelos que acontecem não apenas noutros países, mas também no nosso, como o trabalho sazonal, sobretudo na agricultura, realizado por pessoas de outras origens e culturas, sem lhes reconhecer os direitos a trabalho humano, remuneração justa, habitação digna, alimentação capaz, segurança social e saúde pública», refere a nota da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

No documento, os prelados manifestam ainda preocupação pelos imigrantes que «são vítimas de intermediários sem consciência, que lhes confiscam os documentos, parte do salário e ameaçam os seus familiares nos países de proveniência», e pelos emigrantes que são apanhados nas malhas «de `empresas´ que recrutam mão de obra em Portugal para trabalhar no estrangeiro, prometendo condições vantajosas que depois não se verificam».

Embora reconheçam que o processo de acolhimento de migrantes é longo e complexo, os bispos apresentam várias medidas, que assentam em quatro pontos essenciais: «Acolher em vez de devolver; proteger e não apenas socorrer, promover em vez de abandonar e integrar em vez de empurrar para guetos».

«Confiamos na boa vontade e no sentido de justiça dos nossos legisladores e fazemos apelo aos responsáveis do governo para que continuem a desenvolver medidas de acolhimento e integração dos migrantes, dos refugiados e das vítimas do tráfico humano e partilhem as boas práticas com os outros países no âmbito das Nações Unidas, para que o Pacto Global sobre as migrações internacionais e sobre os refugiados seja um enriquecimento para todo o mundo e assim se integre a mobilidade na realidade das nossas sociedades», conclui a Nota Pastoral.
Qual é a sua opinião?
Login
Email: Palavra-chave:
Esqueceu-se da sua palavra chave?
Registar
Comentário sujeito a aprovação.