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Missionários perdem sacerdote em Moçambique
Texto Diamantino Antunes | Foto Diamantino Antunes | 28/05/2018 | 15:10
Inesperadamente, o padre Salvador Forner, missionário da Consolata, partiu para a Casa de Deus Pai. O sacerdote foi um vivo retrato de fé, caridade e trabalho
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Os Missionários da Consolata perderam um grande missionário e todos quantos conviveram com ele, de modo particular em Maputo e no Niassa. Por onde passou, continua a ser uma referência, essencialmente pelo seu vivo testemunho de fé, inteligência e bondade.

O padre Salvador Forner nasceu em Offanengo-Crema, no norte de Itália, em 1936. Na Ação Católica amadureceu a sua fé e empenhou-se no serviço à Igreja. Sentindo-se chamado à vida sacerdotal e missionária, ingressou já adulto no Instituto dos Missionários da Consolata (IMC). Depois dos estudos de Teologia, foi ordenado sacerdote a 23 de dezembro de 1967.

Chegou pela primeira vez a Moçambique, em 1969, onde viveu grande parte da sua vida missionária dando o melhor de si ao serviço da missão. Nas missões de Maiaca e Majune, no Niassa, no contexto da guerra colonial, viveu momentos dramáticos e sofreu com o povo, por quem fez tudo o que estava ao seu alcance, sobretudo os mais pobres e indefesos.

Em 1974, foi destinado a Portugal para trabalhar na formação de missionários nos seminários da Consolata de Abrantes e Cacém-Lisboa. Formou com o seu exemplo e rigor dezenas de jovens, um bom número dos quais chegou ao sacerdócio. Regressou a Moçambique em 1987 para trabalhar na Machava, dando um importante impulso pastoral à paróquia da Sagrada Família.

Em 1991, foi destinado a Cuamba, na diocese de Lichinga, onde durante quase 10 anos deu o melhor de si na cura pastoral das comunidades cristãs das missões de Cuamba e Mitúcue. Grande foi o seu empenho em favor dos refugiados da guerra civil que chegavam no pátio da casa dos padres com as mãos cheias de nada e de lá saiam com um pouco de comida, uma enxada e uma manta.

Foi benfeitor generoso de centenas de órfãos e crianças mal-nutridas no Centro Nutricional de Cuamba. Dotou Cuamba com uma das primeiras e melhores escolas secundárias do Niassa, a Escola Padre Eugénio Menegon. No ano 2000, voltou a Maputo para trabalhar nas paróquias de Liqueleva e Liberdade e em 2009 regressou ao Niassa, então para trabalhar na missão de Massangulo. A partir de 2015, prestou um humilde e generoso serviço na Casa Regional dos Padres da Consolata e na Paróquia dos Mártires do Uganda.

O padre Salvador acreditou e trabalhou. Em tudo amou e serviu, sendo um vivo testemunho de fé e de missão. Viveu totalmente para os outros, nunca pedindo nada em troca, nem mesmo qualquer tipo de reconhecimento humano. Dizia o beato Allamano que «o sacerdote é sobretudo o homem da caridade; ele é padre mais para os outros do que para si mesmo». Durante a sua vida missionária, o padre Salvador inspirou-se nesta regra de vida e incarnou-a na sua ação. Fez o bem, sem alarde ou procura de visibilidade.
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