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Opinião
A Santa Casa da Misericórdia de Paris
Texto Opinião | Daniel Bastos | 02/06/2018 | 13:15
A Misericórdia de Paris procura intervir quando não há resposta aos problemas específicos da comunidade portuguesa ou quando as respostas não são satisfatórias ou são incompletas
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A Santa Casa da Misericórdia de Paris (SCMP), instituída a 13 de junho de 1994 na esteira das Misericórdias Portuguesas, instituições de assistência social que ao longo dos tempos se têm assumido como pilares do altruísmo nacional, desempenha um papel fundamental na dinamização da solidariedade no seio da comunidade portuguesa em França.

Desde a sua fundação, a Misericórdia de Paris mantém uma matriz de intervenção que não substitui nem entra em concorrência com os serviços existentes, tanto franceses como portugueses, antes pelo contrário, procura complementar e colaborar com os mesmos, atuando quando não há resposta aos problemas específicos da comunidade portuguesa ou quando as respostas não são satisfatórias ou são incompletas.

Nesse sentido, a sua missão e valores visam no quadro geral da assistência à comunidade portuguesa em terras gaulesas, através da realização campanhas e ações de solidariedade social, apoiar as pessoas idosas, os jovens sem formação com dificuldades de inserção, os indigentes, os desempregados de longa duração, os inválidos, os que padecem de abandono e solidão, os detidos e os que carecem de necessidade material, moral ou afetiva.

Uma missão e valores que assumem uma premência vital, tanto que a França continua a ser o país com mais emigrantes portugueses, mais de um milhão, e contrariamente à uma certa ideia preconcebida que associa os emigrantes portugueses a percursos de vida coroados de sucesso, vários são os que vivem com dificuldade, confrontados com situações de precariedade, de doença, de desemprego, de abandono ou de solidão.

Parte desta realidade social, encontra-se analisada no estudo realizado em 2008 pelo sociólogo e antigo provedor da SCMP, Aníbal de Almeida, intitulado «Os portugueses em França na hora da Reforma». Ao longo da sua investigação, o sociólogo sustenta que um terço dos reformados portugueses residentes no território gaulês recebe «abaixo do limiar da pobreza», e que «são muitos os que sofrem de envelhecimento precoce em consequência da dureza da vida e dos empregos exercidos, penosos para muitos, expostos às intempéries ou a produtos nocivos, com muitas horas diárias trabalhadas, incluindo, muitas vezes, os sábados e os domingos, sendo frequente a ocorrência de acidentes de trabalho, de doenças profissionais e de invalidez».
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