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Portugal
Novo kit promove diálogo intercultural nas escolas
Texto J.B. | Foto Lusa | 07/06/2018 | 15:10
Investigadores de várias instituições de ensino propõem às escolas e comunidades um conjunto de atividades para fomentar o respeito pela diversidade
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Uma equipa de investigadores da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (UC) criou um kit para auxiliar professores e outros agentes educativos na inclusão escolar e social de crianças migrantes e refugiadas. O novo conjunto de materiais foi concebido e testado por peritos da FPCEUC, no âmbito do estudo «Dar a mão – Programa de inclusão social nas escolas para crianças migrantes e refugiadas».

 

Além da instituição portuguesa, participaram no trabalho de investigação as universidades de Gazi (Turquia) e de Florença (Itália). Os novos materiais disponibilizam aos professores um «conjunto de sugestões para o desenvolvimento global das crianças», que poderão ser implementadas na escola ou na comunidade, indicam os serviços de comunicação da UC.

 

«A nossa preocupação é a de que os currículos versem uma perspetiva sistémica e que as escolas que acolhem crianças migrantes promovam o diálogo intercultural», explica Ana Cristina Almeida, coordenadora da equipa portuguesa. «É essencial introduzir o lúdico para imersão num ambiente autêntico de aprendizagem significativa, que permita explorar aspetos, por vezes negligenciados, como as expressões, o envolvimento socioemocional, a coordenação entre o formal e não-formal e o respeito pela diversidade (linguística, cultural, na alimentação, da religião, etc.) e prevenir ocorrências indesejáveis como o `bullying´», acrescenta Ana Cristina Almeida.

 

Do projeto resultou também um plano de ação estratégico direcionado para os decisores políticos dos países parceiros. Do documento fazem parte «recomendações e medidas facilitadoras da inclusão, entre as quais o estreitamento da relação da escola com a comunidade e com a família, a formação professores e preparação para a interculturalidade, a importância de um intérprete e/ou mediador na escola e especialistas como psicólogos, a adequação de currículos visando a aprendizagem da língua, mas também uma aproximação aos hábitos de vida, valores e costumes», apontou a especialista em psicologia da educação da UC, citada pela instituição.

 

Segundo a universidade lusa, a próxima fase do projeto, desenvolvido nos últimos dois anos, contempla a «criação de uma rede internacional de escolas amigas da inclusão de migrantes». O objetivo passa por partilhar conhecimentos, boas práticas e meios para que as escolas «dignifiquem a diferença e apoiem os professores, tutores, estudantes e famílias vulneráveis na prevenção do abandono precoce ou fracasso escolar», indica a profissional portuguesa.

 

Segundo Ana Cristina Almeida, a mais-valia do programa «Dar a mão» é «fornecer um conjunto de ferramentas, pela aprendizagem da língua portuguesa e consciencialização de todos das oportunidades ampliadas da abertura à diversidade». O trabalho de investigação em curso é financiado pela União Europeia, através do programa Erasmus+.

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