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Congresso Missionário
Bispos destacam missão da Igreja
Texto Geraldo Martins | 12/07/2018 | 17:32
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A Igreja deve ser «decididamente missionária», não se fechar nas suas atividades e trabalhar «para transformar as estruturas de morte e corrupção, de tanta violência», diz presidente da Conferência Episcopal da Bolívia
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O presidente da Conferência Episcopal da Bolívia (CEB), Ricardo Ernesto Centellas Guzmán, foi objetivo e contundente ao falar dos desafios da Igreja, na sessão de abertura dos trabalhos do 5º Congresso Missionário Americano, na manhã de quarta-feira, 11 de julho, no Colégio Dom Bosco, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Ele destacou o desafio de a Igreja ser «decididamente missionária», não se fechar nas suas atividades e trabalhar «para transformar as estruturas de morte e corrupção, de tanta violência».

O prelado lembrou a situação vivida pela Nicarágua e Venezuela. «Não se podem repetir as experiências de Nicarágua e da Venezuela no nosso continente americano», disse, sob os aplausos dos cerca de 3.000 delegados do CAM 5, oriundos de 24 países do continente. «Temos que trabalhar por políticas públicas que gerem o desenvolvimento humano promovendo e defendendo os direitos humanos e constitucionais nas nossas sociedades, em toda circunstância humana», acrescentou.

O presidente da CEB exortou que o Congresso leve os seus participantes a assumir o compromisso de fazer que a Igreja seja misericordiosa, capaz de dar testemunho e de ser uma Igreja pobre para os pobres. «[Que seja] uma Igreja que caminha com seu povo e não se sirva de seu povo, centrada no serviço humilde e não no poder e ambição que mata o coração humano», finalizou.

Partilhar missionários

O enviado especial do Papa para o CAM 5, cardeal Fernando Filoni, também compôs a mesa de abertura dos trabalhos do Congresso e chamou a atenção para a necessidade de enfrentar o problema da falta de vocações missionárias com «uma generosa disposição de partilha de missionários entre as Igrejas mais ricas e as mais pobres», além de deixar-se «tomar por um profundo e generoso amor ao serviço das comunidades mais privadas do anúncio do Evangelho».

O cardeal destacou que continua, ainda hoje, a generosidade dos missionários que anunciaram o Evangelho na América nos tempos passados. «Em muitas partes da América, há necessidade de autênticos ministros do Evangelho. Todos, contudo, somos devedores de nossa fé à generosidade dos evangelizadores e missionários que nos precederam e não acredito que esta generosidade se tenha esgotado», observou.

Fernando Filoni disse, ainda, que o Papa Francisco quer que toda a Igreja se coloque em estado permanente de missão. «Este Congresso, portanto, é chamado a recolher esta visão do Papa, a fazê-la sua e a adequá-la à rica variedade das situações do continente americano», exortou. «Rezemos para que Deus nos envie evangelizadores e missionários alegres e entusiasmados para levar o nome do Senhor às periferias em vista de um mundo mais justo», acrescentou.

Fundamentos da missão

De acordo com o presidente das Pontifícias Obras Missionárias (POM), Giampietro Dal Toso, a missão depende da resposta a estas duas questões: «A missão da Igreja nasce da vida mesma de Deus. O Pai, o criador, que enviou seu Filho, agora quer chamar-nos a ser continuadores e seus colaboradores na missão salvífica», explicou.

Dal Toso convidou os congressistas a terem o olhar voltado para Jesus. «A primeira atitude que desejo convidá-los a assumir no início deste Congresso, é aquela que o Papa Francisco nos sugere: olhemos para Jesus, o missionário do Pai, com coração aberto, deixando que Ele nos contemple». Ele destacou que o Espírito Santo é o protagonista da missão e que «o ardor, a criatividade, a fidelidade à missão só se mantêm vivos quando renovamos a decisão de confiar no Espírito Santo».

O presidente das POM sublinhou que o Jesus Cristo, morto e ressuscitado, é o conteúdo da missão e que a cruz, na qual Jesus morreu, não é somente um símbolo, «mas uma realidade viva e presente no nosso meio». «Cristo, morto e ressuscitado é, ao mesmo tempo, o sujeito e o objeto de nossa missão. O anúncio de Cristo morto e ressuscitado é o coração da missão, é o querigma. Não podemos falar de missão sem nos referirmos a este núcleo de nossa fé», explicou.

Dal Toso falou também da fé como virtude de vida e como conteúdo e que uma não se opõem à outra, mas ambas se complementam. «Se a fé como virtude, como atitude de vida, não se alimenta do conteúdo da fé, converte-se em sentimentalismo. Se a fé entendida como conteúdo doutrinal não se alimenta com uma vida de fé, converte-se em ideologia. A fé como atitude descreve o abandono que o crente faz de si mesmo a Deus. A fé como conteúdo diz quem é esse Deus no qual cremos, quem é o Deus que se revelou».

Ao terminar sua intervenção, o presidente das POM provocou os missionários com várias perguntas e destacou a última, que classificou como mais radical. «Por que devemos reforçar tanto a dimensão missionária e a maneira particular da missão ad gentes?».
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