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Fátima
Simpósio do Clero
«Não há nenhuma relação entre celibato e pedofilia»
Texto F.P. | 06/09/2018 | 13:27
Bispo emérito de San Sebastian, com várias obras publicadas sobre o voto de castidade na Igreja Católica, afirma que a experiência e os estudos científicos comprovam não haver qualquer analogia entre o celibato e os abusos de menores
«É uma pena que, às vezes, por questões ideológicas, se mantenha uma tese que não tem nenhuma realidade». Esta foi a resposta dada por Juan Maria Uriarte, bispo emérito de San Sebastian, Espanha, à pergunta sobre se podia estabelecer-se alguma relação entre o celibato e os abusos sexuais de menores.

«Os estudos científicos, que são bastantes, estabelecem com clareza que não há nenhuma relação entre celibato e pedofilia. E está comprovado também que entre os ministros de outras confissões casados, tanto os orientais como os protestantes, a percentagem de ministros que incorrem neste tipo de delitos é igual ou maior do que a dos celibatários», explicou o prelado, no final da conferência de encerramento do Simpósio do Clero, esta quinta-feira, 6 de setembro, em Fátima.

Para Juan Uriarte, o facto de ser o seio familiar o local onde mais se pratica a pedofilia, e por parte de educadores de casados, reforça a ideia de que «a relação entre a pedofilia e o celibato não é real». Ou seja, na sua opinião, o que é fundamental é apostar-se numa formação formação ao nível da sexualidade e da afetividade, quer na sociedade em geral, quer nos seminários.

«Vai-se melhorando muito no caminho da educação da sexualidade e afetividade, e é esse contexto de uma sexualidade e afetividade celibatária que necessita de ser cultivado com intensidade, com periodicidade e gradualismo, que são objetivos desejáveis e menos longínquos que antes», sobretudo na formação dos seminaristas e presbíteros, adiantou o prelado.

Confrontado com a polémica que tem abalado a Igreja Católica, relacionada com as denúncias de abuso de menores por parte de elementos da instituição e as tomadas de posição do Papa Francisco, Uriarte lamenta a existência destes casos e enaltece o comportamento do Pontífice.

A Igreja Católica foi «a primeira instituição que publicamente reconheceu, pediu perdão, e que quer reparar as vítimas [de abusos sexuais]. Fê-lo um pouco tarde, é verdade, mas fê-lo. E outras nem sequer são denunciadas nem fizeram essa autocrítica publica, que seria necessária para erradicação desse fenómeno que nos está a afligir a todos», afirmou o bispo emérito.
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