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Médico premiado pela ajuda aos refugiados
Texto F.P. | Foto ACNUR / Mark Henley | 02/10/2018 | 17:38
Cirurgião já foi obrigado a fugir com a sua equipa por causa da violência, mas não baixou os braços e criou um hospital para prestar assistência a pessoas deslocadas no Sudão e Sudão do Sul
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O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) atribuiu o Prémio Nansen para Refugiados ao cirurgião Evan Atar Adaha, do Sudão do Sul, pela sua dedicação e auxílio às pessoas forçadas a fugir de conflitos e perseguições no Sudão e Sudão do Sul.

Residente em Bunj, no nordeste do Sudão do Sul, junto à fronteira com o Sudão, o médico administra o único hospital em funcionamento na região e assegura assistência a mais de 200 mil pessoas. Apesar da falta de material, é feita uma média de 58 operações por semana.

«A sua dedicação em servir vítimas de guerra e conflito tem sido extraordinária e merece atenção e reconhecimento global», destacou o líder do ACNUR, Filippo Grandi, sublinhando as condições precárias em que o cirurgião e a sua equipa trabalham.

«Não existe, por exemplo, material para realizar anestesia geral, por isso os médicos trabalham com injeções de cetamina e epidurais. A única máquina de raio-x não funciona, a única sala cirúrgica é iluminada por apenas uma lâmpada e a eletricidade é fornecida por geradores que param de funcionar com frequência», explicou.

Segundo o ACNUR, Evan Atar ofereceu-se para trabalhar na região e estabeleceu o seu primeiro hospital em 1997, quando começou a guerra. Em 2011, o aumento da violência obrigou-o a fugir com os seus colegas e todos os equipamentos que conseguiram transportar, numa viagem que durou cerca de 30 dias. Em Bunj, montou a primeira sala cirúrgica num centro de saúde abandonado. Desde então, trabalhou para garantir o financiamento do hospital e treinar outros jovens para se tornarem enfermeiros e parteiras.

O Sudão do Sul é o país mais jovem do mundo, depois de ter conquistado a independência do Sudão em 2011. Uma guerra civil começou dois anos depois, criando a terceira maior crise de refugiados do mundo e a que mais cresce em África. Quase 1,9 milhão de pessoas são deslocadas internas e outras 2,5 milhões procuraram refúgio em países vizinhos.
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