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Construções ameaçam populações indígenas isoladas
Texto F.P. | Foto Clara Roman / ISA | 02/11/2018 | 07:02
Levantamento do Instituto Socioambiental identificou 123 empreendimentos, entre barragens, estradas e linhas férreas, que vão gerar impactos negativos em áreas protegidas onde vivem as comunidades nativas
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A construção de infraestruturas previstas para os próximos anos em várias regiões do Brasil pode provocar impactos negativos em pelo menos 58 comunidades indígenas isoladas, já vulneráveis a doenças e à violência, segundo um estudo promovido pelo Instituto Socioambiental. Até agora, foram identificados 123 empreendimentos, entre barragens, linhas ferroviárias, centrais termoelétricas e estradas, que podem pôr em risco o futuro das populações nativas.

«Esses povos estão em perigo, porque a floresta, que garante o seu modo de vida, está a desaparecer. E pode desaparecer ainda mais rapidamente com a construção desse pacote de empreendimentos», alerta Antonio Oviedo, um dos autores do estudo, que aponta o Parque Indígena Aripuanã, no estado de Mato Grosso, como um dos locais mais ameaçados.

Segundo o levantamento do ISA, as 35 barragens hidroelétricas previstas para a Amazónia terão impacto direto em 16 Terras Indígenas e em 12 Unidades de Conservação, onde foram identificados pelo menos 39 povos indígenas em isolamento voluntário. Além do impacto direto nas comunidades, os empreendimentos identificados impulsionavam também novas frentes de migração, provocando o aumento da procura por terras, da grilagem, do desmatamento, da extração ilegal de madeira e do garimpo, sublinham os investigadores.
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