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Angola celebra abertura de nova missão da Consolata
Texto Diamantino Antunes | Foto Sylvester Ogutu | 02/11/2018 | 10:17
Os Missionários da Consolata, presentes em Angola desde 2014, deram mais um passo histórico na sua presença neste país lusófono com a abertura da terceira comunidade-missão em Luacano, diocese de Luena, na região noroeste
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O passo é grande porque é uma abertura verdadeiramente «ad gentes», num contexto totalmente novo, numa das regiões mais periféricas e esquecidas, também do ponto vista eclesial, de Angola. Do centro do país sentimos o dever missionário de dirigir-nos para a periferia, da planície para o planalto, das zonas bem evangelizadas, com uma percentagem bem alta de católicos (40 por cento da população), para uma região onde os católicos são uma minoria (oito por cento) e frequentemente assediados pelas seitas e pelas Igrejas independentes africanas. Chegou a hora do planalto do Moxico, onde se situa a Igreja local de Luena, da qual faz parte o pequeno resto de Luacano.

Esta abertura surge de um convite antigo do bispo de Luena, que tudo fez para ter a presença dos Missionários da Consolata na sua diocese, à qual quer, também com o nosso contributo, dar um impulso missionário que responda aos grandes desafios que vive esta Igreja local: grande extensão territorial, fraca evangelização, escassez de clero e baixo desenvolvimento humano da população.

A entrada dos missionários em Luacano foi preparada nestes últimos dois anos através de contactos e visitas realizadas localmente pelos religiosos, acompanhados pelo bispo. Na preparação foram envolvidas as duas comunidades e paróquias do Instituto Missionário da Consolata (IMC) em Angola: Kapalanga e Funda. Houve sensibilização dos cristãos para esta abertura missionária e foram convidados a sentir-se responsáveis com os missionários neste projeto através da oração e do contributo económico.


Tomada de posse

No passado domingo, 28 de outubro, o padre Luiz António de Brito, na presença do bispo de Luena, Tirso Blanco, tomou posse como pároco da paróquia de Santa Maria de Luacano. Uma missão que só existe no papel e que é necessário construir com paciência, espírito de sacrifício e com a ajuda de todos.

Da comunidade de Luacano fará parte também o recém-ordenado padre John Kyara. Acompanharam o padre Luíz António até Luacano os padres Fredy Gomez e Mark Sembeye, da comunidade de Kapalanga, e o padre Sylvester Ogutu, da comunidade de Funda, juntamente com uma delegação da paróquia de Funda. Percorreram os mais de 1.500 quilómetros entre Luanda e Luacano de carro. Chegaram no dia 23 de outubro a Luena, sede da diocese. O dia seguinte foi dedicado a fazer visitas e compras do material necessário para a futura casa paroquial de Luacano. No dia 25, foi a viagem para Luacano, distante 200 quilómetros de Luena, com passagem na missão de Lumeje-Cameia, chegando a Luacano nesse mesmo dia. Os dois dias que antecederam a tomada de posse foram dedicados à preparação da casa paroquial e sua bênção, organização e ensaios da Missa de abertura.

Realidade pastoral

Luacano é uma vila da província de Moxico. O município tem 13.573 quilómetros quadrados e cerca de 27 mil habitantes. Fica a cerca de 1.600 quilómetros de Luanda. A região, muito próxima da fronteira do Congo e da Zâmbia, é formada por vastas planícies pantanosas.
Pastoralmente, as poucas e pequenas comunidades católicas de Luacano e Dilolo atravessam grandes dificuldades devido ao abandono pastoral: não existe presença ou visitas por parte dos missionários desde 1968 – devido à guerra que foi muito intensa nesta região.

O acompanhamento pastoral por parte da diocese tem sido mínimo, limitando-se praticamente à visita anual do bispo que nestes anos tem visitado as comunidades do município de Luacano e celebrado alguns sacramentos a candidatos ao batismo e casamento preparados pelos catequistas.

Em Luacano e em Dilolo existe bastante população e muitas igrejas e seitas de tipo pentecostal. Em Luacano, a Igreja Católica conta com uma capela e a casa para os padres. A comunidade sede de Luacano tem uma série de comunidades espalhadas e distantes, quatro delas ao redor do lago Dilolo, o maior lago de Angola, a 62 quilómetros de Luacano. Os moradores desta área sofreram muito no tempo da guerra, muitos tiveram de fugir e aqueles que ficaram estiveram muito tempo sozinhos sem acompanhamento pastoral; muitas aldeias desapareceram, algumas delas tentam ressurgir aos poucos. É de louvar o trabalho dos catequistas que, na ausência de padres, continuaram, mesmo nas dificuldades, a animação daqueles que não fugiram.
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