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Pobreza pode estar na origem dos ataques no norte de Moçambique
Texto F.P. | Foto Wilhan José Gomes | 10/12/2018 | 16:18
Especialista em assuntos africanos considera que os ataques na província de Cabo Delgado podem estar mais relacionados com problemas locais ligados à pobreza, do que com motivações religiosas
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Os ataques registados no norte de Moçambique, sobretudo na região de Cabo Delgado, podem estar na origem de um possível movimento de revolta popular que ganhou «dinâmica» após o ataque inicial de uma «seita» islâmica radical a Mocímboa da Praia, em outubro de 2017, em que morreram dois polícias e 14 atacantes, afirmou o especialista em assuntos africanos, Eric Morier-Genoud.

«Sabemos o que aconteceu em Mocímboa da Praia, uma seita foi reprimida e atacou a cidade. Este foi o primeiro ato público com uma agenda religiosa, mas a seguir a situação evoluiu, é muito possível que essa seita tenha começado um movimento associado a outras dinâmicas», declarou o investigador de História de África e mundo lusófono, à margem da conferência Missionação e Poder Colonial em Angola e Moçambique no século XX que decorre esta segunda-feira, 10 de dezembro, em Lisboa.

Eric Morier-Genoud apontou a «insatisfação» da população como uma das causas do desenvolvimento da insurreição, assim como problemas de terras e tensões sociais na zona. «A população vive na pobreza, sobretudo nas áreas rurais, e esta pobreza cresceu nos últimos anos», em simultâneo com a desilusão face às expectativas de desenvolvimento económico criadas pelo governo devido à exploração de gás natural no território, acrescentou.

A onda de violência no norte do país ganhou projeção mediática após o ataque de Mocímboa da Praia e desde então foram noticiados dezenas de ataques que provocaram a morte a cerca de 100 pessoas, de acordo com números oficiais.
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