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Muçulmanos demarcam-se de ataques em Moçambique
Texto F.P. | 14/12/2018 | 15:09
Comunidade islâmica considera que «há interesses externos» nos ataques registados no norte do país, onde existem recursos naturais, como os minerais e o gás natural
A comunidade islâmica em Moçambique demarcou-se dos ataques recentes ocorridos na província de Cabo Delgado, atribuindo as ofensivas a «interesses externos», que nada têm que ver com os valores defendidos nas madrassas. «Se há pessoas que têm esse tipo de comportamento, não estão ligadas a nós de forma alguma», assegurou o presidente da Comunidade Islâmica de Moçambique (CIMO), Abdul Rashid Ismail.

Segundo o dirigente, os professores das madrassas moçambicanas são todos formados em território nacional e privilegiam a educação e o ensino de valores morais e sociais, sem qualquer ligação a radicais islâmicos. «As pessoas que têm ideais radicais, extremistas e fundamentalistas» são pessoas que estudaram maioritariamente na Arábia Saudita e aprenderam «o fanatismo, o wahabismo [movimento islâmico sunita ultraconservador]».

Para Abdul Rashid Ismail, a origem dos ataques estará ligada a alegados «interesses externos» na riqueza existente na região. «As pessoas que fazem isso em nome do islamismo têm segundas intenções ou foram mandadas por alguém para tirarem a população de lá e ocuparem esse espaço. [Querem] criar instabilidade e pânico na população. Queimam as casas, decapitam as pessoas, dizem que são muçulmanos, mas não são os muçulmanos que ensinam essas barbaridades», criticou.

O presidente da CIMO lamentou ainda o efeito nefasto que os ataques tiveram na imagem da comunidade islâmica em Moçambique, em particular a que vive na região de Cabo Delgado. Os muçulmanos do norte «são pela paz e não querem problemas» mas são afetados pelas acusações de terrorismo, sublinhou o responsável.
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