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«Mundo falhou em proteger as crianças em 2018»
Texto J.B. | Foto Lusa | 02/01/2019 | 07:02
Os casamentos forçados, raptos e violações tornaram-se num padrão de atuação em muitos países em conflito. A UNICEF frisa que precisa de ser feito «muito mais» para «prevenir as guerras e acabar com os vários conflitos armados»
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Os responsáveis pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertam para o facto do futuro dos mais pequenos estar em risco em países onde decorrem confrontos, em consequência das violações perpetradas pelas partes envolvidas. Manuel Fontaine, diretor de Programas de Emergência da UNICEF, refere em comunicado que os líderes mundiais falharam na responsabilização dos causadores destas violações: «O mundo falhou em proteger as crianças em 2018».

Segundo Manuel Fontaine, os menores que vivem em regiões onde decorrem confrontos estão a ser vítimas de extrema pobreza. O responsável da UNICEF lamenta o facto das partes envolvidas nos conflitos terem praticado atos cruéis, por muito tempo, com quase total impunidade, situação essa que «está a piorar». «Muito mais pode e deve ser feito para proteger e ajudar» crianças de Estados em guerra, que «estão a ser atacadas diretamente, usadas como escudos humanos, mortas, mutiladas ou recrutadas para combater», frisa Fontaine.

A existência de casamentos forçados, violações e raptos tornaram-se em 2018, segundo o diretor de Programas de Emergência da UNICEF, um padrão em conflitos na Síria, Iémen, República Democrática do Congo, Nigéria, Sudão do Sul e Mianmar. No Afeganistão «a violência e o derramamento de sangue ocorrem diariamente», com mais de 5 mil crianças a morrerem no primeiro semestre de 2018.

No nordeste da Nigéria, grupos armados, incluindo partes do grupo terrorista Boko Haram, utilizaram raparigas como «bombas humanas», forçaram-nas a tornarem-se esposas de combatentes e foram alvo de violações. Nos Camarões olha-se para o caso de «escolas, alunos e professores» que «são frequentemente atacados». Na República Centro-Africana deu-se uma agravação dos confrontos, colocando duas em cada três crianças a necessitarem de assistência humanitária.

Manuel Fontaine pediu aos Estados que cumpram as suas obrigações sob a lei internacional e que «parem imediatamente com as violações contra crianças e ataques contra infra-estruturas civis, incluindo escolas, hospitais e fontes de água». «Muito mais precisa de ser feito para prevenir as guerras e acabar com os vários conflitos armados que arrasam a vida das crianças de forma desastrosa (…) Ataques contra crianças nunca devem ser admitidos», sustenta o responsável. O diretor de Programas de Emergência da UNICEF apela para que as partes em confrontos sejam obrigadas a proteger as crianças, caso contrário «elas, as suas famílias e comunidades continuarão a sofrer as consequências, agora e por muitos anos».

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