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Fátima
Crianças levam mensagem de esperança da Cova da Iria
Texto J.B. | Foto Santuário de Fátima | 20/02/2019 | 17:32
No dia dedicado aos pastorinhos, António Marto lembrou que o amor de Deus fez os pequenos videntes sentirem-se «imersos numa luz», que os tornou capazes de partilhar «do pouco que tinham», o que é demonstrativo de uma «mensagem de esperança»
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Vários grupos de crianças participaram numa Missa na Basílica da Santíssima Trindade, esta quarta-feira, 20 de fevereiro, data em que se assinala a Festa Litúrgica dos Santos Francisco e Jacinta Marto. A celebração foi presidida por António Marto, cardeal e bispo da diocese de Leiria-Fátima, que contou que quando a 30 de setembro de 2017 agradeceu ao Papa Francisco, numa audiência particular, pela sua visita a Fátima, e lhe deu conta do triplicar das visitas aos túmulos dos pastorinhos após a sua canonização, este lhe respondeu – «Sabes, num mundo ferido, as pessoas têm necessidade de buscar a inocência».

Segundo o purpurado, o «mundo ferido» a que o Papa se referia é exposto «praticamente todos dias, quando nos ecrãs da televisão ou nas primeiras páginas do jornais» é apresentada a «força destruidora do pecado do mundo», que deixa «a marca da dor e das feridas, nas pessoas, no corpo, na alma, e nas consciências tantas vezes feridas, ao ponto de já nem se distinguir o bem do mal, nas famílias tantas vezes divididas e às vezes ocultando a violência que está lá dentro, na sociedade marcada pela indiferença e pelo individualismo e egoísmo de cada um, nos dramas das guerras e dos refugiados que fogem à morte, à miséria e à fome».

«Isto é de facto um espetáculo da vastidão do mal, força destruidora do pecado, que nos assusta e mete medo que leva tanta gente a perder a confiança na vida e, na bondade da vida, na ternura, que deve marcar a nossa vida e as nossas relações», lamentou António Marto. «Este mal contagia o coração, e mata a inocência, e, por isso, nós fartos deste espetáculo, procuramos a inocência e é neste contexto que o Papa diz esta expressão», explicou o cardeal, sublinhando que «as crianças são a voz desta inocência que faz bem a todos».

Para o responsável, os pastorinhos constituem-se como «a voz da inocência, nos rostos tristes e lágrimas nos olhos, nas caravanas dos refugiados, muitas vezes sozinhos, muitas vezes a fugir sem o pai ou a mãe». Mas por outro lado, os videntes «foram testemunhas» da misericórdia de Deus «que cura as feridas e as dores da humanidade». O cardeal lembrou que Francisco e Jacinta «transmitiram esta inocência através do amor a Deus e do encanto por este amor santo misericordioso que os fascinou e os fez sentir imersos como numa luz».

«Naquela disponibilidade dos pequeninos, para colaborarem com Deus na reparação dos estragos que o mal faz nos corações, nas relações e no mundo, através das suas orações e do seu sacrifício, do seu amor ao próximo e da partilha do pouco que tinham, que foram crianças normais, que procuraram viver o seu dia-a-dia como os pequenos e simples», disse o purpurado, salientando que tal postura é «uma mensagem de esperança», que demonstra que «é possível restaurar a inocência nas consciências e nos corações, através da santidade de vida».

Durante a Eucaristia, a assembleia foi também chamada a rezar pelo encontro do Santo Padre com os presidentes das conferências episcopais que decorre em Roma, Itália - «Para que saibam encontrar caminhos de conversão e reparação para acabar com o escândalo do abuso de menores que destrói vidas e corrói a Igreja» - pediu-se na Cova da Iria, segundo os serviços de comunicação do templo mariano.

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