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Poluição obriga a êxodo na capital da Mongólia
Texto F.P. | Foto Einar Fredriksen | 15/03/2019 | 07:02
Conhecida pelas suas estepes intermináveis, lagos e populações nómadas, a imagem de postal ilustrado da Mongólia desaparece no inverno debaixo da espessa neblina tóxica que cobre a capital e põe em risco a saúde de milhares de crianças
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Ulan Bator, capital da Mongólia e onde vive quase metade dos três milhões de habitantes do país, é uma das cidades mais contaminadas do mundo, devido ao uso extensivo do carvão para alimentar os fogões. A maioria dos habitantes vive em bairros precários, sem água canalizada nem rede de esgotos. Quando chega o inverno, milhares de famílias enfrentam um dilema: manter as suas crianças na cidade ou enviá-las para áreas verdes para protegê-las da contaminação? As que podem optam pela segunda hipótese, o que provoca um verdadeiro êxodo nesta época do ano.

Os efeitos da contaminação são desastrosos para os adultos mas as crianças são ainda mais vulneráveis, em parte porque respiram mais rápido e absorvem mais ar e, consequentemente, mais elementos poluentes. Apesar dos riscos para a saúde, Badamkhan Buzan-Ulzii e o seu marido não tiveram outra opção que foi permanecer na capital para trabalhar. Mas enviaram o seu filho, de dois anos, para casa de familiares, a mais de 1.000 quilómetros de distância.

A decisão foi difícil de tomar, mas uma bronquite que demorou quase um ano a ser curada convenceu a família e enviá-lo para casa dos avós. «Não importa que eu tenha saudades ou quem o cria. Se está de boa saúde, eu estou feliz», contou a mulher, de 35 anos, a uma agência internacional.

Segundo vários especialistas, Ulan Bator não é apenas a capital mais fria do mundo (com temperaturas abaixo dos 40 graus negativos), mas também a que possui a pior qualidade de ar. O nível de partículas finas em suspensão ultrapassa mais de 100 vezes o recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Esta situação acaba por motivar também algumas tensões sociais, pois os habitantes mais privilegiados da cidade culpam os imigrantes dos bairros periféricos pela contaminação e pedem a sua expulsão. Em teoria, o uso do carvão nos fogões é proibido desde 2018, mas esta normativa raramente é cumprida.
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