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Fátima
Francisco tinha Deus como «o mais belo da sua vida»
Texto J.B. | Foto Santuário de Fátima | 04/04/2019 | 16:35
Numa missa dedicada a São Francisco, António Marto mostrou como Deus pode levar beleza, encanto e felicidade à vida de cada um, partindo do exemplo do pequeno pastorinho
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Os 100 anos da morte de São Francisco Marto foram recordados esta quinta-feira, 4 de abril, com uma Eucaristia na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, presidida por António Marto, cardeal e bispo na diocese de Leiria-Fátima, que dedicou a sua homilia à vida do pequeno vidente, destacando a capacidade daquela criança, que soube desenvolver uma relação cúmplice com Deus.

 

«Francisco lembra-nos a devoção eucarística como o lugar onde alimentamos a nossa fé e depois vem lembrar-nos a atualidade da missão reparadora para curar as feridas do mundo e da humanidade, dilacerada por tantas formas de violência e reparar também a própria Igreja do Senhor, hoje tão dolorosamente abalada pela corrupção de alguns escândalos de responsáveis que ferem a nossa alma e a qualidade da nossa fé e a imagem e confiança na Igreja», disse o cardeal.

 

De acordo com António Marto, «é necessário reparar os estragos para reconstruir; reparar os estragos provocados pelos escândalos e reerguer comunidades que sejam fiéis ao Evangelho, com a confiança de que nas horas mais obscuras da história, pelas quais a igreja já passou, o Senhor nunca» abandona ninguém. Segundo o purpurado, o pequeno pastorinho «foi introduzido no mistério de Deus por Nossa Senhora que, cheia de luz, o levou a saborear e a gostar do próprio Deus como o mais belo da sua vida e da existência humana».

 

«A confissão íntima do afeto e da beleza de Deus, porque se sentia por ele habitado e iluminado (…) despertou nele um impulso missionário para `O irradiar e contagiar aos outros´», demonstrou o cardeal perante aqueles que o escutavam na Cova da Iria e através dos meios de comunicação. «Este testemunho do encanto e do fascínio por Deus, do gosto gozoso e alegre de Deus presente nele é de uma atualidade premente; hoje é talvez o mais importante e essencial para viver a fé» para que esta não se reduza «a um conjunto de verdades e preceitos mas a uma comunhão viva de afetos e de relação com Deus», disse o cardeal, citado pelos serviços de comunicação do Santuário de Fátima.

 

O responsável lamentou a «indiferença» da sociedade em relação a Deus. «Deus é apenas uma palavra com quatro letras, vazia de conteúdo, que já não diz nada; para outros é um ser supremo longínquo e distante que pôs em marcha o universo mas que não se interessa por nós nem nos desperta interesse. Outros, ainda, afirmam que acreditam em Deus mas esquecem-No muitas vezes.»

 

Para o purpurado, são muitos os que vivem de forma oposta à de Francisco. «Não saboreamos [Deus] nem sentimos o gosto da Sua presença, do Seu amor, do Seu perdão, da Sua misericórdia, do Seu espírito, da Sua força e da Sua luz», referiu. «Neste momento de indiferença não há fé que se aguente se não se viver com a experiência e o gosto do sabor de Deus na nossa vida. Por isso somos convidados a interrogarmo-nos a nós mesmos sobre o modo como vivemos a nossa relação com Deus; é a questão mais séria da missão evangelizadora da Igreja e dos cristãos: levar o coração de Deus aos outros e vivê-lo, com afetos e ações concretas» à semelhança do pequeno pastorinho.

 

António Marto realçou que Francisco «é muito atual para os adultos: consolar a Deus; dar alegria a Deus e unir-se no afeto grande a Ele através de Jesus escondido na Eucaristia». «Uma criança que penetra neste mistério admirável da nossa fé -  Jesus presente na Eucaristia, que é Deus connosco, para nós, por nós - é um exemplo para todos», destacou.

 

Segundo o bispo da diocese de Leiria-Fátima, o dia 4 de abril é uma ocasião para «olhar para esta data da morte como a síntese de uma vida», que deixa um «legado, pelo qual» os fiéis estão «gratos». «E eu, particularmente, que tanto me ajudou a descobrir a beleza e o amor de Deus e a unir-me com mais afeto e empenho à missão.»

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