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Saques e violência continuam na República Centro-Africana
Texto F.P. | Foto Lusa | 12/06/2019 | 16:26
Apesar dos acordos de cessar-fogo assinados entre o governo e os líderes rebeldes, prosseguem os confrontos, os saques e a violência, denuncia um missionário carmelita que trabalha no país há 28 anos
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«A República Centro-Africana encontra-se numa situação de instabilidade muito grave. Apesar dos acordos assinados em fevereiro pelo governo e 14 líderes rebeldes, 80 por cento do território está nas mãos de grupos que respondem aos líderes locais. O acordo previa o seu desarme, o que não foi cumprido. Assim, continuam os confrontos, os saques e a violência», afirma o padre Aurelio Gazzera, pároco de Bozoum e responsável pela Cáritas diocesana.

A trabalhar há 28 anos no país, o missionário carmelita tem centrado a sua atenção na exploração dos recursos naturais e minerais. Um ativismo que lhe valeu uma detenção, no passado mês de maio, pode denunciar um massacre numa mina de ouro. «Não há regras. As licenças devem ser atribuídas pelo Parlamento de Bangui, mas a maioria são dadas de forma informal por funcionários públicos em cumplicidade com os chefes das instituições», lamentou o sacerdote, em declarações à agência Fides.

Desde o início do ano, adiantou o missionário, «foram concedidas 116 licenças para exploração de minas de diamantes e ouro e para o derrube de árvores valiosas, pela sua madeira». «E um deputado confirmou-me que apenas oito concessões tinham seguido o procedimento estabelecido por lei».

Ainda de acordo com Aurelio Gazzera, as empresas concessionárias são por norma chinesas, russas, libanesas e sul-africanas, que gozam da proteção dos militares afetos ao governo. «O apetite de muitos foi desencadeado no país, com o desprezo por quem vive aqui e uma selvagem exploração dos recursos minerais», concluiu o missionário.
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