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Mais de três milhões de crianças venezuelanas em dificuldades
Texto F.P. | Foto Lusa | 11/06/2019 | 16:22
Impacto da crise económica e política deixou uma em cada três crianças com carências de comida, medicamentos e educação, e sem acesso aos serviços básicos. Mortalidade infantil aumentou 50 por cento
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O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) está a reforçar a capacidade de resposta na Venezuela para tentar dar assistência humanitária aos 3,2 milhões de crianças que necessitam urgentemente de alimentação, medicamentos e acesso à educação. Os feitos da crise económica e política destruíram décadas de progresso no país, lamentam os responsáveis da organização.

«As pessoas com quem falei descreveram um quadro muito sombrio da situação da saúde no país. Muitos médicos e enfermeiras abandonaram a Venezuela, os centros médicos estão a funcionar nos mínimos da sua capacidade por falta de medicamentos e a falta de peças de reposição tem paralisado as unidades móveis de saúde e as ambulâncias», afirma a diretora de comunicação da agência, Paloma Escudero, recém regressada de Caracas.

Segundo a responsável, as mulheres grávidas, muitas delas demasiado jovens e anémicas, têm grandes dificuldades em obter a atenção que necessitam e, com a escassez de combustível, por vezes, nem sequer conseguem chegar aos centros de saúde. «Para um país que tinha conseguido grandes progressos durante décadas na qualidade da assistência médica, a situação é dramática», sublinha.

A ONU estima que mais de quatro milhões de venezuelanos já deixaram o país, naquele que é já um dos maiores movimentos de deslocados do mundo. Fruto da crise, a mortalidade infantil aumentou em 50 por cento entre 2014 e 2017 e mais de 750 mil crianças e adolescentes ficaram fora da escola entre 2013 e 2017.
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