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Número de deslocados no mundo bate novo recorde
Texto F.P. | Foto Lusa | 19/06/2019 | 12:16
Níveis de deslocamento duplicaram em duas décadas, confirmando a tendência crescente da quantidade de pessoas que precisam de proteção internacional, alertam as Nações Unidas
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O relatório anual «Tendências Globais», divulgado esta quarta-feira, 19 de junho, pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), revela que o ano passado o número de deslocados no mundo atingiu um novo recorde, com 70,8 milhões de pessoas deslocadas das suas casas ou dos seus países.

«As tendências globais, mais uma vez infelizmente, vão no que eu diria que é a direção errada. Há novos conflitos, novas situações, que criam novos refugiados, somando-se aos antigos. Os casos antigos nunca são resolvidos», afirmou o responsável da agência da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi, durante a apresentação do relatório em Genebra, na Suíça.

Os dados agora disponibilizados indicam que o número de deslocados aumentou pelo sétimo ano consecutivo e que os níveis de deslocamento são hoje o dobro do que eram há 20 anos, confirmando uma tendência crescente da quantidade de pessoas que precisam de proteção internacional.

O fenómeno está a crescer em tamanho e duração. Cerca de quatro quintos das «situações de deslocados» duraram mais de cinco anos. Após oito anos de guerra na Síria, por exemplo, o seu povo continua a constituir a maior população de pessoas deslocadas à força, cerca de 13 milhões.

A Venezuela, que atravessa uma grave crise humanitária e política, é pela vez primeira o país com o maior número de novos requerentes de asilo, com mais de 340.000, em 2018. E estes números, segundo o ACNUR, são «conservadores», pois muitos dos venezuelanos viajaram livremente para os países vizinhos e apenas cerca de um oitavo pediu proteção internacional.

Filippo Grandi aproveitou ainda para criticar a retórica hostil a migrantes e refugiados que se tem verificado um pouco por todo o mundo. «Na América, assim como na Europa e em outras partes do mundo, o que estamos a testemunhar é a ideia de que os refugiados, ameaçam os nossos empregos, a nossa segurança e os nossos valores. E eu quero dizer ao governo dos EUA - ao Presidente - mas também aos líderes do mundo todo: isso é prejudicial», afirmou o líder do ACNUR.
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