Mundo
Bispos angolanos temem uma «revolta social» no país
Texto F.P. | Foto C.A. | 16/07/2019 | 15:08
Entrada em vigor das novas tarifas de eletricidade pode inflacionar o preço dos serviços e prejudicar as famílias mais pobres. Prelados pedem uma gestão «séria e consolidada»
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O porta-voz da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), Belmiro Tchissengueti, alerta para o perigo de uma «revolta social» no país, devido às novas tarifas de eletricidade que entraram em vigor esta semana. A medida, segundo o bispo de Cabinda, «contrasta com a atual redução ou estagnação da qualidade de vida dos cidadãos».

«Temos de ter em conta que, apesar da dificuldade que se vive, fruto da má gestão do erário público, na verdade os pobres são sempre os mais prejudicados, porque subindo a energia vai subir o preço do táxi, das moageiras e vai subir uma série de serviços com bastante descontrolo», afirma o prelado, em declarações à agência Lusa.

As novas tarifas entraram em vigor segunda-feira, 15 de julho, e as autoridades asseguraram a manutenção dos preços para consumidores da «categoria social», com capacidade reduzida de consumo, e aumento para metade aos da categoria «doméstica especial».

Porém, Tchissengueti defende que o Estado devia «garantir a energia e água potável a todos os cidadãos com uma tarifa justa». «O que acontece é que o mesmo povo que agora vê a tarifa da energia a subir, é o mesmo que não tem água e tem de recorrer a cisternas que são caríssimas, e já sabemos que com energia muitos serviços inerentes também vão subir, e isso vai ser um peso nas costas da população».

Tendo em conta que Angola «tem muitos recursos que podem ajudar ao desenvolvimento», o porta-voz da CEAST entende que Angola precisa de uma «gestão consolidada» dos seus recursos «e não da pressa de fazer do dia para noite, porque isso só abre espaço à corrupção, desvios e roubos que temos assistido por todos os cantos».
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