O «correio de Nossa Senhora» de Fátima, que diz respeito às «mensagens dos peregrinos» dirigidas à Mãe de Cristo, é uma dinâmica que estará em análise na Cova da Iria, na próxima quarta-feira, 7 de agosto, às 21h15.
«A materialização da oração através de mensagens escritas às entidades cultuadas é uma estratégia de aproximação entre o crente e a entidade cultuada comum a várias religiões e cultos», explica André Melícias, coordenador do Serviço de Arquivo e Biblioteca do Departamento de Estudos do Santuário de Fátima, que abordará esta temática.
O responsável explica que o Muro das Lamentações, em Jerusalém, é, possivelmente, o exemplo mais conhecido deste comportamento. «Em Fátima, esta tradição apelidada de `Correio de Nossa Senhora´, gera uma massa documental crescente», destacou o profissional, em declarações aos serviços de comunicação do Santuário de Fátima.
O arquivo do templo mariano conserva, neste momento, um «total estimado de 7.397.500 mensagens». «Esta é, de entre a documentação custodiada pelo arquivo, uma das séries documentais mais relevantes do ponto de vista informacional, por ser uma das que melhor espelha a razão de existir do santuário, que é a de assistir material e espiritualmente os peregrinos que vão àquele lugar específico procurar uma ligação à esfera do divino, por acreditarem que aquele é um lugar de hierofania», refere o investigador, licenciado em História.
A abordagem a este tema vai dar forma à quarta visita temática à exposição temporária «Capela-Múndi», patente no Convivium de Santo Agostinho, localizado no piso inferior da Basílica da Santíssima Trindade, espaço onde a mostra se encontra patente ao público. A entrada nesta visita temática, assim como na exposição, é gratuita. A mostra pode ser vista até 15 de outubro.