+ infoAcontecer
Portugal
«Estão presas só porque a Europa tem medo delas»
Texto J.B. | Foto Comunidade de Santo Egídio | 11/08/2019 | 15:52
Programa de férias solidárias para refugiados coloca europeus ligados a organização católica em contacto com refugiados que se encontram nas ilhas gregas
imagem

Jovens, adultos, e um grupo de mediadores culturais, ligados à Comunidade de Santo Egídio, uma organização humanitária católica, estão a dinamizar férias solidárias nos campos de refugiados de Lesbos e de Samos, na Grécia, até ao final do mês de agosto. «A cada dez dias, cerca de 30 voluntários de Santo Egídio desembarcam em cada ilha e com eles chega solidariedade e amizade», refere a organização.

Os voluntários estão associados a «várias» comunidades de Santo Egídio espalhadas pela Europa. A portuguesa Rita Gomes já esteve envolvida no projeto. «Em cada jantar, brincadeira, abraço, conseguíamos partilhar um momento de verdadeira alegria. Num dos dias fomos todos passear e durante o almoço sentimos o sonho a tornar-se realidade, onde estávamos todos juntos como uma grande família, onde se confundia quem ajudava de quem era ajudado», recorda Rita Gomes, em comunicado.

Durante esta experiência, Rita afirma ter conhecido «pessoas muito meigas e amigáveis», muitas famílias e crianças que «mereciam muito mais» do que viver nos campos, «onde tudo é contado e partilhado» e onde uma tenda pode ser para três agregados familiares. «Foi chocante ver as condições em que realmente vivem e crescem todas aquelas crianças, ouvir as suas histórias, das guerras que fugiam…E como depois de arriscarem tudo para chegar à Europa, todas estas famílias e crianças estão presas nesta ilha de Lesbos só porque a Europa tem medo delas», lamenta.

Uma vez no terreno, os voluntários decidiram abrir «imediatamente» o «Restaurante da amizade» para os refugiados poderem «jantar à mesa todos juntos», todas as noites, de segunda a sexta-feira. «Quem chega, sozinho ou acompanhado pela sua família, é sentado à mesa e podem desfrutar um jantar com arroz, carne e legumes, ao redor das mesas junto com comida boa e muita amizade», lê-se no comunicado da organização, que adianta que o número de pessoas vai crescendo. Para além do «restaurante da amizade», os voluntários organizam «escolas da paz, cursos de inglês, festas, almoços», visitas a museus e momentos de intercâmbio cultural.

Daniela Moretti, ligada à comunidade de Santo Egídio de Roma, em Itália, foi outra das voluntárias deste projeto. «Quando se está em frente a uma pessoa não vemos que ela é mais um problema social, mas os problemas dessa pessoa», explica. A organização católica citada pela agência Ecclecia lembra que as ilhas gregas de Lesbos e Samos são o ponto de desembarque de «milhares de refugiados», maioritariamente oriundos da Síria e do Afeganistão, mas também dos Camarões, do Congo e de Angola.

Qual é a sua opinião?
Login
Email: Palavra-chave:
Esqueceu-se da sua palavra chave?
Registar
Comentário sujeito a aprovação.