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Fátima
Peregrinação internacional aniversária de agosto
«Europa tinha capacidade para acolher muito mais» refugiados
13/08/2019 | 09:13
«Se não fosse a recusa de alguns países, a Europa tinha capacidade para acolher muito mais. É uma questão de boa vontade», disse em Fátima a diretora da Obra Católica Portuguesa das Migrações

O poder político tem a responsabilidade de «colocar a questão das migrações na agenda», e deve procurar-se «mudar a narrativa» atual referente à migração, disse Eugénia Quaresma, diretora da Obra Católica Portuguesa das Migrações (OCPM), na tarde da última segunda-feira, 12 de agosto, na conferência de imprensa de lançamento da peregrinação internacional aniversária a Fátima.

«É pensar um pouco no populismo e na xenofobia, é preciso combater os medos», alertou a responsável, aludindo à necessidade de um trabalho conjunto, que integre todos os países e governos. «É importante que se entenda que a questão das migrações é de resolução conjunta e colaborativa, não pode ser só uma questão dos Estados do sul, tem que haver solidariedade na resolução das questões», disse Eugénia Quaresma, dando o exemplo do caso italiano, um país onde o acolhimento aos refugiados se tem colocado de forma mais acentuada.

Na Cova da Iria, a diretora da OCPM referiu que a Igreja Católica portuguesa se encontra a «trabalhar para que as pessoas percebam que todos beneficiam com a diversidade e com o acolhimento, e com a capacidade de integrar o potencial que estas pessoas trazem». A responsável alertou também para a necessidade da criação de «canais seguros e regulares para as migrações», com o propósito de «combater também o tráfico de seres humanos», e de «influenciar os Estados a serem mais abertos ou a funcionarem de uma forma mais aberta».

Eugénia Quaresma lembrou o «desafio das crianças» migrantes e refugiadas, que é cada vez mais uma problemática existente em vários Estados, onde se dá conta que menores chegam muitas vezes desacompanhados, sem nenhum apoio exterior. «Ao acolher estas crianças estamos não só a cuidar do nosso presente mais a semear o nosso futuro», realçou a responsável, citada pela agência Ecclesia.

No que diz respeito ao programa de Recolocação e Reinstalação de refugiados desde o início da crise migratória, a Europa acolheu quase 46 mil pessoas nessas circunstâncias. Portugal recebeu 1674 pessoas, e dentro destas, 726 chegaram ao país através da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR). Para Eugénia Quaresma, esta quantidade de pessoas acaba com o «discurso de invasão» que habitualmente é associado a este fenómeno.

«Setecentas e vinte e seis pessoas é um número pequenino, se pensarmos que elas estão dispersas por diversas comunidades e regiões. É um número que não custa a aceitar, que não custa a acolher», clarificou Eugénia Quaresma, que apelou a mudanças de mentalidade. «Se não fosse a recusa de alguns países, a Europa tinha capacidade para acolher muito mais. É uma questão de boa vontade, não só de política e de condições, é uma questão de conseguirmos contar com todos para melhorar este mundo em que vivemos», frisou.

Além de Eugénia Quaresma, interveio António Vitalino, bispo emérito de Beja, que acompanha a Obra Católica Portuguesa das Migrações. O prelado defendeu em Fátima a promoção da «cultura do encontro, da comunicação e da comunhão». O bispo lembrou que o mundo é «marcado pela mobilidade», um fenómeno que «não é novidade» para o cristão, que «sempre foi considerado um peregrino a caminho da terra prometida». No entanto, o prelado deixou um alerta para «as guerras, as perseguições, cataclismos e fome».

A par de uma problemática também premente na atualidade, como os efeitos das alterações climáticas, o bispo emérito recordou a realização do Sínodo da Amazónia, no próximo mês de outubro, no Vaticano, que «tratará da Amazónia e do seu significado para o clima a nível mundial». O bispo vogal da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana lembrou que os migrantes portugueses estão em «maior número nos países desenvolvidos», onde conservam um «amor muito grande ao seu país, às suas famílias e tradições». A peregrinação internacional aniversária celebrada dias 12 e 13 de agosto faz referência aos milhões que se vêem obrigados a deixar as suas casas devido à pobreza, guerra e perseguição étnica e religiosa.

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