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Para não esquecer
Texto Opinião | Albino Brás | 08/09/2019 | 15:57
A II Guerra Mundial, é bom lembrar, foi um acontecimento que marcou muito negativamente mais que uma época, é uma página muito negra na História da humanidade.
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Há 80 anos começava a II Guerra Mundial, com a invasão da Polónia pela Alemanha. Foi o maior conflito bélico da História, com mais de 40 milhões de mortos. Por coincidência ou por graça estive na Polónia na semana em que se assinalou essa data (1 de setembro). Não estava sozinho, mas inserido num grupo de 26 padres que trabalham na recém-constituída Região Europa dos Missionários da Consolata, e que ali se juntaram para os Exercícios Espirituais. Era já o último dia dos exercícios, que terminaram com uma Missa na comunidade da Consolata, em Varsóvia.

Naquele domingo, 1 de setembro, pude testemunhar a satisfação dos polacos ao saberem do pedido formal de perdão feito na manhã daquele mesmo dia por parte do Presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier.  Pediu perdão pelas «vítimas da tirania alemã». «Ainda que fosse 80 anos depois, valeu!», festejava um polaco, para em seguida lamentar: «Os russos ainda não o fizeram».

Na tarde desse domingo, fomos conhecer o centro da cidade de Varsóvia e vi como o aparato policial nas ruas e praças era enorme, devido às celebrações daquele aniversário. Havia muitos chefes de Estado estrangeiros e outros representantes políticos e diplomatas. Varsóvia, recorde-se, foi destruída em cerca de 90 por cento pela aviação alemã naquele conflito. Há ainda marcas, ruínas, placas e monumentos por toda a parte, para fazer memória. A II Guerra Mundial, é bom lembrar, foi um acontecimento que marcou muito negativamente mais que uma época, é uma página muito negra na História da humanidade.

Na semana do Exercícios Espirituais, além da visita e reflexões junto aos santuários de São João Paulo II e da Divina Miserircórai, em Cracóvia, e do Santuário de Czestochowa, onde acorrem milhares de peregrinos, marcou-me de forma indelével a visita aos campos de concentração e extermínio de Aushwitz e Birkenau, onde foram torturadas e mortas centenas de milhares de pessoas (crianças incluídas) durante o conflito. O motivo? Foram mortos porque eram judeus, intelectuais, religiosos, comunistas, polacos, ciganos, homossexuais, deficientes, testemunhas de Jeová, entre outras minorias.

Uma guia levou-nos pelos vários recantos dos dois campos: dos blocos onde os prisioneiros ficavam apinhados, sem qualquer higiene, alimentação digna ou cuidados de saúde, até às câmaras de gás e aos fornos crematórios. Não é preciso dizer que se me revolveram as entranhas e senti mesmo um frio gélido na barriga. No rosto e no olhar dos visitantes, lia-se claramente a pergunta: «Como foi isto possível?» E quantas cumplicidades e silêncios foram necessários para que aquela indignidade se estendesse por vários anos, sem que ninguém travasse os assassinos? Perante tamanha barbaridade, restava-nos um silêncio ao mesmo tempo ruidoso e eloquente como resposta.

Oitenta anos depois, não podemos perder a memória. Coisas como aquela não podem, não devem voltar a ocorrer. É que hoje em dia, olho ao redor e não tenho dúvidas em identificar por aí, na política e na sociedade, alguns aprendizes de Hitler. Têm nome e apelido. No seu discurso de 1 de setembro, o atual Presidente da Polónia, Andrzej Duda, anfitrião destas comemorações, não teve pejo em denunciar um deles, que mantém ideias e atitudes imperialistas, com continuadas provocações militares: Vladimir Putin. Mas há mais, muito mais pelo mundo! Sim, é hora de travá-los, denunciando, claro e bom som, as suas macabras ideias e intenções. Para bem dos povos, para alívio da humanidade.

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