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Fátima
Jornadas das Comunicações Sociais
«O mundo digital é um lugar para habitar»
Texto F.P. | Foto F.P. | 26/09/2019 | 13:34
Secretário do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé considera fundamental a «clareza e identidade» da mensagem, para tornar mais eficaz a comunicação da Igreja Católica
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«O mundo digital não é um instrumento para usar, mas sim um lugar para habitar». A partir deste conceito, o secretário do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé, monsenhor Lucio Ruiz, apontou a «ternura» como «a linguagem e o canal de comunicação» mais eficaz que a Igreja Católica pode adotar nos dias de hoje, para se posicionar e afirmar em contexto digital, sobretudo nas redes sociais.

Na conferência inaugural das Jornadas das Comunicações Sociais, que se iniciaram esta quinta-feira, 26 de setembro,em Fátima, o colaborador do Papa Francisco recordou que a tecnologia entrou definitivamente nas nossas vidas e mudou as relações sociais, gerando uma nova cultura.

Porém, num mundo «hiperligado» digitalmente, «o homem continua só» e a necessitar de sentir o calor de um abraço, o encontro de um olhar, o conforto de uma palavra. E é neste `terreno´ que a comunicação da Igreja deve marcar presença, «com clareza e identidade», mostrando que está verdadeiramente «próxima de quem necessita», sublinhou o sacerdote.

«Para podermos dar respostas a um mundo que se interroga, necessitamos de gente apaixonada por Jesus, pela missão e pelo destinatário» da mensagem, assinalou Lucio Ruiz, reforçando que a transmissão do Evangelho deve ser «fresca, renovada e criativa», sempre partindo do princípio que se está a comunicar «uma pessoa [Jesus] e não uma doutrina».

Na sessão da abertura das jornadas, promovidas pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais e a Rede Mundial de Oração do Papa em Portugal, o presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, João Lavrador, admitiu que a Igreja «se depara com uma dupla interpelação, seja na utilização cada vez mais criteriosa das redes digitais, seja no diálogo que deve estabelecer, para que estas se tornem veículo de comunhão e de fraternidade, promotoras de uma humanidade onde não haja lugar à exclusão e à marginalização».

Não se trata de «utilizar, mas de estar nesta cultura para a fermentar com o Evangelho e a tornar verdadeiramente humana», acrescentou o bispo de Angra, desafiando os comunicadores a transmitirem os «valores da comunhão, da verdade, da justiça, do amor e da paz».

O programa, que se prolonga pelo dia de amanhã, 27, inclui reflexões sobre os desafios da comunicação da Igreja aos jovens, estratégias de comunicação de eventos, marcas e pessoas e como usar o Instagram na comunicação de uma instituição eclesial. Prevê ainda sessões práticas de captação e elaboração de pequenos vídeos institucionais, breves declarações ou entrevistas.
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