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«O mundo pode acabar com a apatridia»
Texto F.P. | Foto ACNUR / Susan Hopper | 09/10/2019 | 07:02
Atriz Cate Blanchett considera que o problema de quem vive sem cidadania «é criado pelo homem» e, como tal, pode ter solução. Basta que os Estados removam os obstáculos à cidadania dos apátridas
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A atriz e embaixadora da Boa Vontade da agência das Nações Unidas para os Refugiados, Cate Blanchett, participou esta semana numa conferência para avaliar os cinco anos da campanha «Eu Pertenço», uma iniciativa destinada a acabar com o problema da apatridia, e afirmou que «é hora de agir» para acabar com a «invisibilidade» dos milhões de pessoas que vivem sem cidadania.

Acenando com o seu passaporte, Blanchet recordou que o problema a apatridia «é um problema criado pelo homem e pode ter solução», uma vez que são os Estados que «definem a cidadania e, portanto, têm o poder de remover os obstáculos à cidadania dos apátridas». «O mundo pode acabar com a apatridia» e pôr fim à situação de tantas pessoas que «sofrem marginalização e exclusão do berço ao túmulo».

A campanha «Eu Pertenço» foi lançada em 2014 pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), com o objetivo de eliminar a apatridia em uma década. Na altura, a agência estimava que havia cerca de 10 milhões de apátridas em todo o mundo. Mas o alto comissário para os Refugiados, Filippo Grandi, admitiu que este número pode ser maior, porque muitas pessoas nesta situação «são bastante invisíveis».

Nos últimos cinco anos, cerca de 220 mil pessoas conseguiram nacionalidade graças a esforços de vários países. Um dos exemplos é a Serra Leoa, que eliminou a discriminação de género das leis da nacionalidade e passou a permitir que as mães passem a cidadania para os filhos. Apesar desses avanços, para Grandi «o progresso está longe de ser garantido». Segundo ele, «são necessárias soluções urgentes» para milhões de pessoas, como os rohingya de Myanmar e os moradores do estado de Assam na Índia.
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