Portugal
Envolver deputados e autarcas na luta contra a pobreza
Texto F.P. | Foto Lusa | 09/10/2019 | 08:41
Rede Europeia Anti-Pobreza em Portugal pretende envolver o Parlamento e as câmaras municipais no combate ao fenómeno, com base num estudo de duas universidades que defende apoio especializado para quem empobreceu
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A poucos dias do início da jornada «Pelo combate à pobreza e à exclusão social», que decorrerá no distrito do Porto entre 17 e 24 de outubro, a Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal (EAPN, na sigla em inglês) revela que vai aproveitar a iniciativa para lançar uma nova etapa na luta contra a pobreza, através da qual pretende envolver o Parlamento e as câmaras municipais no combate ao fenómeno.

A ideia surgiu na sequência de um estudo das universidades de Harvard, nos Estados Unidos da América, e de Utrecht, na Holanda, que defende que as pessoas que empobreceram em resultado de situações traumáticas só com ajuda especializada ultrapassarão essa condição social, explicou à agência Lusa o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal.

Segundo Jardim Moreira, os investigadores estudaram «o impacto das situações de carência forte e de problemas semelhantes no ser humano», tendo concluído haver «danos múltiplos a nível cerebral». Para contornar este problema, defendem que «é necessário desbloquear a pessoa, ao nível do cérebro, sistema nervoso e emocional, para que recupere a autoestima e seja capaz de sair, apoiada, da situação em que se encontra».

Como não apoia «as políticas existencialistas» que apenas «despejam dinheiro para o problema» sem levar «a nenhuma solução», o dirigente pretende intervir «junto dos partidos e na Assembleia da República, mas também nas comunidades intermunicipais e nas câmaras», para avançar no terreno com o projeto que resultou do estudo académico.

Para Jardim Moreira, os 333 milhões de euros gastos anualmente com o Rendimento Mínimo Social não estão a ter um efeito de transformação, mas de manutenção, «porque as pessoas não saem dessa situação», muito por culpa «das políticas que vêm do 25 de abril, que mantêm sempre perto de dois milhões de portugueses, conforme a época económica que se vive, na pobreza».
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