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Milhões de venezuelanos sem acesso a alimentos
Texto F.P. | Foto ONU | 07/11/2019 | 10:29
Sistema de saúde está à beira do colapso e muitos hospitais carecem de infraestruturas básicas de água e eletricidade. Pacientes correm risco de vida por falta de limpeza e escassez de medicamentos
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«Só uma solução política pode parar o sofrimento na Venezuela». Esta é a conclusão do responsável pela agência de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, Mark Lowcock, depois de uma visita de três dias ao país, onde testemunhou a contínua degradação económica e social que está a deixar milhões de venezuelanos em situação de emergência humanitária.

«Durante a minha primeira visita à Venezuela, vi como as mulheres, homens e crianças enfrentam diariamente enormes desafios para sobreviver. Milhões de pessoas não conseguem aceder a um mínimo de alimentos, água e assistência médica. A situação continua a piorar», assinalou o responsável em comunicado.

Ao nível das infraestruturas públicas, Lowcock constatou que o sistema de saúde está à beira do colapso: «Os pacientes hospitalizados, muitos dos quais já estão gravemente doentes, correm risco de vida por causa de novas infeções que estão a contrair, já que não é possível realizar uma limpeza ou uma desinfeção básica. Tudo isto é agravado pela falta de medicamentos e a escassez de médicos e enfermeiros para administrá-los».

Com o agravamento da crise, estima-se que 4,5 milhões de venezuelanos já deixaram o país, vivendo a maioria deles noutros países da América Latina e Caraíbas. Muitas destas pessoas aventuram-se em viagens perigosas, enfrentando riscos de exploração sexual, tráfico e abuso.

Para os que ficam, o responsável defende um reforço da ação humanitária. «Todas as partes devem respeitar o nosso foco humanitário de princípios e não manipular a assistência com base nas necessidades. O sofrimento humano não é uma arma política. Seguiremos monitorizando a prestação de assistência para assegurar-nos que é prestada de forma transparente e em conformidade com as avaliações independentes», Mark Lowcock.
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