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Novembro, mês de memórias
Texto Opinião | Albino Brás | 10/11/2019 | 13:10
Não basta somar anos à vida, importa acrescentar vida aos anos. Amando e sendo amados. E isso faz toda a diferença. Porque é essa vida com vida que alimenta, depois, as memórias dos que ficam
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Os acontecimentos, hoje, mais do que nunca, vão-se sobrepondo uns aos outros, velozmente, como que em camadas; perde-se a memória das pessoas, da sua história e das suas `estórias´. E um povo sem memória é um povo sem História, sem raízes.

Estamos no mês de novembro. Mês que dá espaço à memória dos que já partiram, aos santos anónimos. Um tempo para pensar – não só, mas também -, na morte, na vida, no sentido da vida. E no que queremos fazer com ela. Os avanços da ciência e, especialmente, da investigação biomédica indicam que podemos estar a caminho do `mito´ da eterna juventude.


O desejo, legítimo, de evitar o declínio que está associado à velhice e afastar cada vez mais a morte. Estudam-se estratégias terapêuticas que podem atrasar ou mesmo reverter o envelhecimento. Ninguém quer morrer antes de tempo, sem sabermos exatamente o que é na verdade esse `antes de tempo´. Para uns será o tempo de `desfrutar da vida´, mas até isso é relativo.

Se é verdade que as pessoas hoje vivem, em média, mais anos, resta saber se a qualidade de vida acompanha este extra de idade cronológica que alcançamos. Com o avanço da idade cresce a possibilidade do deterioro físico, cognitivo, limitações de locomoção, auditivas, visuais, mentais. E numa sociedade como a europeia, e a portuguesa em particular, cada vez com menos filhos, cabe a pergunta: quem vai cuidar dos nossos idosos? Um desafio para famílias, lares, hospitais, governos.

Esta nova realidade coloca muitos e novos desafios sociais, económicos, antropológicos, e despertará, certamente, novas questões éticas: quem vai beneficiar com os progressos da biomedicina? Até onde se deve prolongar `artificialmente´a vida? Quem vai financiar um mundo de `avançados em anos´?

Finalmente, uma questão filosófica, que importa refletir. Não basta somar anos à vida, importa acrescentar vida aos anos. Amando e sendo amados. E isso faz toda a diferença. Porque é essa vida com vida que alimenta, depois, as memórias dos que ficam.
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